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Protesto contra apagões termina em ataque a sede do Partido Comunista em Cuba

Manifestação iniciada de forma pacífica escalou para vandalismo na cidade de Morón

Por: Redação

14/03/202617:47

Manifestantes antigoverno atacaram a sede municipal do Partido Comunista na cidade de Morón, na região central de Cuba, durante a madrugada deste sábado (14). O protesto ocorreu em meio à crise energética e à escassez de alimentos que atingem o país.

Foto Protesto contra apagões termina em ataque a sede do Partido Comunista em Cuba
Foto: Reprodução/ X @lordivan22

De acordo com o jornal estatal Invasor, a mobilização começou de forma pacífica na noite de sexta-feira (13), com moradores protestando contra os frequentes cortes de energia. Com o avanço da madrugada, parte dos manifestantes passou a praticar atos de vandalismo contra o prédio do partido.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram um incêndio em frente ao edifício e pessoas atirando pedras nas janelas enquanto gritam palavras de ordem como “liberdade”. Registros analisados por agências internacionais indicam que as imagens foram feitas em Morón, localizada na costa norte da ilha, a cerca de 400 quilômetros da capital Havana.

Segundo relatos divulgados pela imprensa, móveis da área de recepção do prédio foram retirados e incendiados na rua. Outros estabelecimentos estatais da região, como uma farmácia e um mercado administrado pelo governo, também teriam sido danificados durante os confrontos.

O episódio ocorre em meio ao agravamento da crise energética em Cuba. Autoridades locais apontam que o país enfrenta dificuldades para manter o fornecimento de eletricidade devido à escassez de combustível, situação atribuída ao bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos.

Protestos públicos, especialmente com episódios de violência, são considerados incomuns na ilha. A Constituição cubana de 2019 reconhece o direito de manifestação, mas a legislação que regulamenta esse direito ainda não foi aprovada, o que mantém as mobilizações em uma área jurídica indefinida.

Na última semana, estudantes também protestaram em Havana após a suspensão de aulas presenciais nas universidades, decisão atribuída à falta de combustível que compromete o transporte público no país.

Até o momento, as autoridades cubanas não divulgaram um balanço oficial de feridos ou detidos relacionados aos atos registrados em Morón.