México tenta evitar tarifa de 30% e aposta em acordo com os EUA antes de agosto
Trump impôs tarifa de 30% ao México e à União Europeia
Por: Iago Bacelar
13/07/2025 • 08:42
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou neste sábado (12) que está confiante em alcançar um acordo com os Estados Unidos antes da entrada em vigor da tarifa de 30% anunciada pelo presidente Donald Trump. A medida, que atinge também a União Europeia (UE), tem previsão de aplicação a partir de 1º de agosto.
Durante evento no estado de Sonora, Sheinbaum declarou que a relação com os Estados Unidos será conduzida por meio do diálogo e ressaltou a posição do governo mexicano em relação à autonomia nacional. “Nossa soberania é inegociável”, afirmou a presidente, ao comentar os impactos potenciais do tarifaço anunciado por Trump.
Tarifa é justificada por Trump com base em crise de segurança e comércio
O novo pacote tarifário foi apresentado por Donald Trump como resposta aos que considera desequilíbrios comerciais e falhas de segurança nas fronteiras. Em carta enviada à presidente mexicana, o ex-presidente relacionou a imposição da taxa à crise do fentanil nos Estados Unidos e acusou o México de não conter os cartéis responsáveis pelo tráfico da substância.
Na avaliação do republicano, a fragilidade na fronteira sul dos EUA agravou o problema e justificaria a adoção de medidas econômicas mais duras. Trump afirmou que os Estados Unidos sofrem com a perda de empregos e competitividade devido à entrada de produtos com baixos custos de produção, e que a tarifa seria um instrumento para equilibrar essa relação.
União Europeia também reage à tarifa anunciada
A União Europeia foi incluída no pacote anunciado no mesmo dia. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reagiu ao anúncio de Trump com críticas e alertas sobre possíveis retaliações comerciais.
Em publicação nas redes sociais, von der Leyen afirmou que “a tarifa prejudicaria empresas, consumidores e pacientes em ambos os lados do Atlântico”. A presidente também reforçou a disposição do bloco europeu para negociar uma saída diplomática. “Continuaremos trabalhando para chegar a um acordo até 1º de agosto”, escreveu.
Apesar das críticas, von der Leyen destacou que o foco permanece na busca por um entendimento, mas sinalizou que o bloco poderá adotar contramedidas proporcionais, caso não haja avanço nas negociações. A Comissão Europeia acompanha o desenvolvimento das conversas bilaterais e mantém diálogo com representantes da Casa Branca.
Diplomacia mexicana busca evitar impactos econômicos
Desde o anúncio das tarifas, o governo mexicano intensificou os contatos diplomáticos com representantes do Congresso dos EUA e com membros da equipe de Trump. Segundo interlocutores da presidência do México, o país busca evitar prejuízos a setores estratégicos da economia, especialmente automotivo, agrícola e industrial, que mantêm alta dependência do comércio com os Estados Unidos.
O México é o maior parceiro comercial dos EUA, posição alcançada em 2023, segundo dados do Departamento de Comércio norte-americano. As trocas bilaterais movimentam centenas de bilhões de dólares por ano, o que torna a aplicação de uma tarifa de 30% especialmente sensível para os dois lados.
Além disso, diplomatas mexicanos ressaltam que o país vem adotando ações conjuntas com autoridades americanas no combate ao tráfico de drogas e no controle da fronteira. A equipe de Claudia Sheinbaum avalia que a vinculação direta da crise do fentanil ao México ignora fatores internos dos EUA e pode comprometer a cooperação bilateral em áreas essenciais.
Negociações seguem até o fim de julho
Sheinbaum reforçou que o México está aberto ao diálogo e espera que o entendimento seja alcançado nas próximas semanas. Segundo a presidência, reuniões de alto nível estão previstas para ocorrer em Washington ainda este mês, com o objetivo de evitar a aplicação da tarifa e preservar o fluxo comercial entre os países.
O governo mexicano acredita que a pressão do setor empresarial dos EUA e o potencial impacto sobre o consumidor americano podem contribuir para reverter a decisão de Trump. Enquanto isso, negociações seguem sendo conduzidas sob a liderança dos Ministérios de Relações Exteriores e Economia do México.
