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EUA propõem tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros

Medida ainda depende de aprovação do presidente Donald Trump

Por: Redação

02/06/202608:38Atualizado

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos pode enfrentar um novo capítulo de tensão. O governo norte-americano anunciou a conclusão de uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras e recomendou a criação de uma tarifa adicional de 25% sobre parte das importações vindas do Brasil.

Foto EUA propõem tarifa extra de 25% sobre produtos brasileiros
Foto: Reprodução/Instagram @realdonaldtrump

A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) e ainda passará por uma etapa de consulta pública antes de qualquer decisão definitiva. A eventual implementação da medida dependerá do aval do presidente Donald Trump.

No documento divulgado na segunda-feira (1º), autoridades norte-americanas afirmam que algumas políticas adotadas pelo Brasil criam obstáculos ao comércio e afetam empresas dos Estados Unidos. Entre os pontos questionados estão decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, regras relacionadas ao mercado de pagamentos eletrônicos, acordos tarifários firmados com outros países e questões ligadas à propriedade intelectual.

O relatório também faz referências ao combate à corrupção, ao acesso de produtores norte-americanos ao mercado brasileiro de etanol e às ações de fiscalização contra o desmatamento ilegal.

Um dos argumentos apresentados pelo governo dos Estados Unidos envolve o setor digital. Segundo o USTR, empresas de tecnologia sediadas no país teriam sido impactadas por decisões da Justiça brasileira relacionadas à remoção de conteúdos e à suspensão de contas em redes sociais. O órgão também sustenta que empresas norte-americanas de pagamentos eletrônicos enfrentariam desvantagens em relação a concorrentes no mercado brasileiro.

Apesar da recomendação de sobretaxar produtos brasileiros, a proposta prevê exceções. Alguns alimentos, incluindo determinadas carnes, frutas e café, além de materiais informativos e doações, ficaram fora da lista inicial. O governo norte-americano argumenta que a manutenção desses itens sem a tarifa busca evitar impactos no abastecimento interno.

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A investigação foi aberta em julho do ano passado, em meio ao agravamento das divergências comerciais entre os dois países. Na ocasião, Washington já havia adotado tarifas sobre produtos brasileiros e alegado a existência de práticas consideradas prejudiciais aos interesses dos Estados Unidos.

Desde então, representantes dos dois governos mantiveram negociações para discutir a questão. O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que as conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e integrantes do governo brasileiro se intensificaram nas últimas semanas e classificou o diálogo como produtivo.

A proposta ficará aberta para manifestações da sociedade e do setor produtivo até o início de julho. Após essa etapa, o governo dos Estados Unidos decidirá se mantém, altera ou descarta a recomendação de impor a nova tarifa sobre produtos brasileiros.