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EUA e Brasil discutem sanções contra Alexandre de Moraes

Diplomacia brasileira critica suposta tentativa de interferência dos EUA

Por: Iago Bacelar

27/05/202508:26Atualizado

O governo brasileiro iniciou conversas com a gestão de Donald Trump sobre a possibilidade de sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O diálogo foi motivado após o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, confirmar que o magistrado pode ser alvo de medidas baseadas na Lei Global Magnitsky.

EUA e Brasil discutem sanções a Moraes
Foto: Reprodução/TSE

A informação foi divulgada pela GloboNews. Na audiência ocorrida no último dia 21 no Congresso americano, Rubio afirmou que existe “grande possibilidade” de que sanções sejam aplicadas contra Moraes, utilizando a lei que permite punir estrangeiros envolvidos em violações de direitos humanos ou corrupção.

Segundo apurou a emissora, o movimento de Rubio alimenta tentativas de bolsonaristas para desgastar a imagem do Supremo Tribunal Federal. A estratégia de aliados de Jair Bolsonaro busca criar um ambiente que pressione o STF a recuar em investigações, especialmente no caso que apura a tentativa de golpe de Estado de 2023.

Aliados de Bolsonaro argumentam que decisões de Moraes, como a suspensão de perfis em redes sociais e a derrubada temporária do X (antigo Twitter), afetaram interesses de cidadãos americanos e empresas sediadas nos EUA. O empresário Elon Musk, dono do X e assessor sênior de Trump na Casa Branca em 2024, é apontado como peça central na articulação bolsonarista.

Estratégia bolsonarista visa pressionar o STF

De acordo com fontes, o movimento bolsonarista foi dividido em fases. Inicialmente, focou em convencer o governo Trump de que as decisões do ministro impactam diretamente empresas e cidadãos americanos. Em seguida, buscou sensibilizar parlamentares republicanos para que pudessem pressionar o governo americano a adotar medidas formais contra Moraes.

A tentativa de criar constrangimento público ao STF também tem como objetivo abrir caminho para a aprovação do projeto que prevê anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Diplomatas brasileiros consideram que a declaração de Rubio representa uma tentativa de interferência nos assuntos internos do Brasil e uma afronta ao Judiciário nacional. O Itamaraty articula respostas para manter a relação bilateral com os EUA em bases pragmáticas, destacando que as divergências políticas não devem comprometer a parceria comercial e diplomática.

Lula e Trump: relação diplomática em foco

A relação entre Brasil e Estados Unidos permanece estratégica. Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Apesar das tensões, diplomatas afirmam que a relação bilateral seguirá com diálogo e comércio, independentemente de diferenças políticas.

Durante a campanha presidencial de 2024, o presidente Lula declarou apoio à então vice-presidente Kamala Harris, enquanto Bolsonaro manteve proximidade com Trump, cenário que ainda gera repercussões.

Investigação contra Eduardo Bolsonaro

Enquanto isso, o ministro Alexandre de Moraes será o relator da queixa apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL). O parlamentar, que atualmente está licenciado do mandato e nos Estados Unidos, será investigado por suposta tentativa de constranger a atuação do STF.

A ação, conduzida sob sigilo por determinação de Moraes, lista declarações e movimentações de Eduardo Bolsonaro que sugerem a construção de uma estratégia para intimidar ministros da Suprema Corte.

Segundo apuração da jornalista Daniela Lima, publicada no portal G1, a postura de Eduardo gerou reações entre magistrados do Supremo. Um deles, sob condição de anonimato, afirmou que a atitude do deputado provocou um sentimento de união em torno de Moraes.

“Eles não entendem que o que sinalizam é, obtendo uma punição a você pelo exercício do trabalho, sinalizam que amanhã o mesmo pode ser feito contra cada um de nós”, destacou o magistrado.

A PGR, comandada por Paulo Gonet, apontou que as manifestações públicas de Eduardo Bolsonaro foram direcionadas a constranger o Supremo em meio ao julgamento do caso de 8 de janeiro. O inquérito tramitará sob sigilo, e ainda não há previsão para o desfecho das apurações.

Clima de tensão e defesa da soberania

A repercussão da possibilidade de sanção a Moraes gerou preocupações no governo brasileiro. O Palácio do Planalto vê a movimentação como parte de uma ofensiva para desestabilizar o Judiciário e reforça a necessidade de defender a soberania nacional diante de qualquer tentativa de interferência externa.

Ao mesmo tempo, o governo de Lula busca manter uma relação pragmática com os Estados Unidos, equilibrando críticas à fala de Rubio e o compromisso de seguir o diálogo em áreas de interesse comercial e diplomático.

As conversas em curso entre Brasil e EUA devem continuar, enquanto o Itamaraty acompanha de perto os desdobramentos do discurso de Rubio e as investigações envolvendo Eduardo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.