Delcy Rodríguez pede diálogo aos EUA e cobra relação respeitosa com a Venezuela
Presidente interina defende soberania, cooperação internacional e rejeita ingerência externa
Por: Redação|Agência Brasil
05/01/2026 • 11:31
Em uma carta pública dirigida ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que considera prioritário avançar para uma relação equilibrada e respeitosa entre os dois países, baseada na igualdade entre as nações e livre de qualquer forma de ingerência externa.
Divulgado nas redes sociais, o documento traz um apelo direto ao governo norte-americano para a construção de uma agenda conjunta de cooperação, voltada ao desenvolvimento compartilhado, ao respeito ao direito internacional e ao fortalecimento de uma convivência duradoura entre os povos.
Diálogo e soberania
Ao longo do texto, Delcy Rodríguez defende que o momento exige paz e diálogo, e não confrontos. “Presidente Donald Trump, nossos povos e nossa região merecem paz e diálogo, não guerra”, escreveu, ao afirmar que essa sempre foi a posição do presidente Nicolás Maduro e, segundo ela, do próprio povo venezuelano.
Na parte final da carta, a presidente interina reforça que a Venezuela tem direito à soberania, ao desenvolvimento e a decidir seu próprio futuro, sem interferências externas. Segundo Delcy, esses princípios são inegociáveis e fazem parte do compromisso ao qual dedicou sua trajetória política.
Ataque à Venezuela e tensão internacional
A manifestação ocorre após um novo episódio de escalada militar na Venezuela. No sábado (3), explosões foram registradas em bairros de Caracas, durante uma ação militar dos Estados Unidos, que resultou na captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, levados posteriormente para Nova York por forças de elite norte-americanas.
O episódio reacende o debate sobre intervenções diretas dos EUA na América Latina, algo que não ocorria desde 1989, quando militares norte-americanos invadiram o Panamá e prenderam o então presidente Manuel Noriega, sob acusações de narcotráfico.
No caso venezuelano, o governo norte-americano acusa Maduro de liderar um suposto cartel De Los Soles, alegação que, segundo especialistas em tráfico internacional de drogas, carece de provas concretas. Ainda assim, o governo Trump chegou a oferecer uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.
Críticos da operação avaliam que a ação tem forte motivação geopolítica, com o objetivo de reduzir a influência de países como China e Rússia na região e ampliar o controle sobre o petróleo da Venezuela, que possui as maiores reservas comprovadas de óleo do mundo.
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