Terreiro de Candomblé pode ganhar título de utilidade pública na Bahia
Iniciativa do deputado Fabrício Falcão valoriza atuação do Ilê Alaketu Asè Ayrá Igbona
Por: Lorena Bomfim
17/06/2025 • 13:41
O terreiro Ilê Alaketu Asè Ayrá Igbona, localizado no município de Coração de Maria, a cerca de 110 km de Salvador, poderá ser reconhecido como de utilidade pública pela Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). A proposta foi apresentada pelo deputado estadual Fabrício Falcão (PCdoB), por meio de um projeto de lei que busca valorizar o papel social e cultural desempenhado pela instituição religiosa.
Fundado em 18 de janeiro de 2019, o terreiro é uma organização sem fins lucrativos que promove atividades religiosas, culturais e sociais voltadas à valorização da cultura afro-brasileira. De acordo com o parlamentar, o reconhecimento permitirá que a entidade amplie sua atuação e alcance seus objetivos de forma mais eficaz, inclusive com maior acesso a recursos públicos.
A justificativa do projeto destaca que o Ilê Alaketu Asè Ayrá Igbona realiza eventos religiosos e culturais, como palestras, feiras e festivais, além de fomentar o turismo local e garantir os direitos dos seus associados. O objetivo da proposta é reconhecer a importância do terreiro na preservação das tradições afrodescendentes e no fortalecimento da convivência social e religiosa.
Crescimento das religiões de matriz africana
Dados do Censo 2022, divulgados em junho de 2025 pelo IBGE, mostram que as religiões de matriz africana estão em crescimento no Brasil. As religiões de umbanda e candomblé passaram de 0,3% da população em 2010 para 1,0% em 2022. As chamadas “outras religiosidades” também cresceram, de 2,7% para 4,0%.
Entre os adeptos da umbanda e do candomblé, 42,9% se declaram brancos e 33,2% pardos. Já entre os que seguem religiões de tradição indígena, 74,5% se declaram indígenas. A maioria das pessoas sem religião é parda (45,1%).
Mudança no perfil religioso da Bahia
Na Bahia, os dados revelam uma queda expressiva no número de católicos. Entre 2010 e 2022, a quantidade de fiéis passou de 7,73 milhões para 7 milhões – uma redução de mais de 728 mil pessoas (-9,4%). Ao mesmo tempo, os evangélicos mantiveram crescimento acelerado, e o número de adeptos de umbanda e candomblé triplicou no estado.
Apesar de ainda ser a religião predominante, o catolicismo representa atualmente 57% da população baiana, seguido pelos evangélicos (23,3%) e pelas pessoas sem religião (12,9%). Umbanda e candomblé somam 1%, e o espiritismo, 1%.
Religião em Salvador
Na capital baiana, os dados apontam uma diversidade ainda maior:
-
Católicos: 44%
-
Evangélicos: 24,3%
-
Sem religião: 18,5%
-
Umbanda/Candomblé: 2,8%
-
Espíritas: 2,4%
A proposta de Fabrício Falcão ainda será avaliada pelos parlamentares da Alba. Se aprovada, marcará um avanço no reconhecimento institucional das tradições de matriz africana na Bahia.
