Logo

SRAG preocupa autoridades de saúde na Bahia

Salvador está entre as capitais com sinal de crescimento da doença em crianças

Por: Lorena Bomfim

13/06/202510:26Atualizado

A Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), forma mais grave de infecções como gripe, resfriado e Covid-19, tem afetado majoritariamente crianças de até 4 anos na Bahia. De acordo com o boletim epidemiológico mais recente da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), 2.670 casos foram registrados nessa faixa etária entre 1º de janeiro e 9 de junho de 2025, o que representa 53% do total de ocorrências (5.007).
Diante do avanço da doença, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) emitiu um alerta nesta quinta-feira (12) sobre o aumento dos casos de SRAG em crianças no Nordeste. Segundo o boletim InfoGripe, Salvador está entre as 17 capitais brasileiras com nível de atividade de SRAG classificado como alerta, risco ou alto risco, apresentando tendência de crescimento a longo prazo. A capital baiana também está entre as cidades onde os casos em crianças continuam em alta.
A SRAG costuma começar com sintomas semelhantes aos de um resfriado, como coriza, obstrução nasal, dor de garganta e tosse. Com a evolução do quadro, as vias aéreas inferiores são comprometidas, surgindo sintomas mais graves, como falta de ar, escurecimento dos lábios, dor torácica, dificuldade para respirar e falar. Em casos severos, pode ocorrer insuficiência respiratória — quando o paciente não consegue mais respirar sem ajuda de aparelhos — e afundamento das costelas, principalmente em crianças, devido ao esforço para manter a respiração.
Mais da metade dos casos (53,5%) de SRAG na Bahia são causados pelo rinovírus, responsável por resfriados. Especialistas apontam que crianças pequenas são mais vulneráveis por ainda estarem em processo de desenvolvimento imunológico.
“Crianças de até 4 anos ainda não têm o sistema imunológico plenamente desenvolvido, o que aumenta o risco de complicações, seja por rinovírus, vírus sincicial respiratório ou influenza”, explica a infectologista Clarissa Cerqueira.
Além disso, o clima mais frio favorece a disseminação dos vírus. O infectologista Claudilson Bastos, consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, destaca a sazonalidade dessas infecções e a vulnerabilidade de crianças em ambientes coletivos. “Em dias frios, principalmente no outono, as crianças institucionalizadas estão mais expostas devido à maior aglomeração”, ressalta.
O infectologista Adriano Oliveira, por sua vez, esclarece que o clima não causa a doença diretamente, mas altera o comportamento das pessoas. “O problema não é o frio ou a chuva em si, mas o fato de que nesses períodos ficamos mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a circulação dos vírus”, afirma.
Oliveira alerta ainda que os vírus mais perigosos associados à SRAG são a Influenza e a Covid-19, ambos com maior potencial de causar complicações. Ele reforça a importância da vacinação e de medidas preventivas, como uso de máscaras, higienização das mãos e distanciamento social de pelo menos um metro em locais com aglomeração.

SRAG preocupa autoridades de saúde na Bahia
Foto: Davidyson Damasceno/Iges-DF