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Saída de Coronel do PSD crava definição para chapa puro-sangue do PT

Partido ocupará todas as vagas da majoritária que busca reeleição de Jerônimo e Lula

Por: Redação

02/02/202613:24Atualizado

O anúncio feito pelo senador Angelo Coronel (PSD) de que deixará o partido e migrará para a oposição, deu contornos finais para  a montagem do cenário político na Bahia para as eleições de outubro.
Coronel era o centro de um entrave que se arrastava há meses e que contou com uma articulação conjunta de toda a base do governo Jerônimo.

Foto Saída de Coronel do PSD crava definição para chapa puro-sangue do PT
Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação

A formação de uma chapa puro-sangue com o governador Jerônimo vindo para a reeleição, juntamente ao senador Jaques Wagner (PT) e com a entrada do ministro Rui Costa (PT) na majoritária, era o “sonho de consumo” do partido que governa a Bahia desde 2006 e um cálculo estratégico que visa garantir a manutenção no poder, já que fontes internas avaliam que este pleito será mais difícil do que o anterior.

A preocupação era de como garantir a chapa 3G sem que isso respingasse de alguma forma na aliança histórica com o PSD na Bahia, partido que detém o maior número de prefeituras do estado, além de 2 das 3 vagas do estado no Senado, com o senador e ex-vice-governador Otto Alencar completando o quadro.

Para garantir a aliança, o PT chegou a oferecer a vaga na suplência para Coronel, que assumiria a cadeira caso o senador Jaques Wagner assumisse algum ministério em um novo mandato do presidente Lula (PT), que também busca a reeleição e vê a Bahia como um importante centro para a sua campanha.

Com o PSD pouco empenhado em bater o pé pela manutenção da vaga, com direito a críticas públicas do senador e presidente estadual do partido, Otto Alencar, e até mesmo uma oferta por uma “candidatura avulsa”, Coronel sentiu-se “ofendido” com a proposta e “traído” por seus aliados. Com isso, resolveu deixar o PSD e migrar para a oposição.

“Me botou para fora e eu quero que fique bem claro isso para os baianos. Eu saí do grupo porque não me deram a vaga que eu tenho com direito de reeleição, como o Jerônimo tem, Geraldinho, tem e Wagner tem. Eu não tenho sangue de barata para ser limado e aceitar”, disse Coronel em entrevista ao programa Frequência Política.

Se esse movimento garante a existência da chapa puro-sangue, também oferta um trunfo para a candidatura do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que tentará novamente o governo do estado e, desta vez, contará com um Senador de mandato ao seu lado.

Especulações apontam que Coronel, inclusive, pode migrar para o União Brasil, algo que será definido após o Carnaval de acordo com o próprio. PSDB, PRD e DC também aparecem como interessados em contar com o Senador nos seus quadros, além de garantir espaço na chapa majoritária que buscará impedir a reeleição de Jerônimo.

Com isso, já temos todos os peões dispostos no tabuleiro e Coronel se junta ao ex-ministro  da Cidadania do governo Jair Bolsonaro (PL) e presidente do PL na Bahia, João Roma, na chapa de Neto.

Vice e cenário nacional

Com a decisão de Coronel, o cenário volta-se agora para uma possível batalha pela posição de vice-governador na chapa. O espaço hoje é ocupado pelo ex-vereador Geraldo Jr. (MDB), que chegou a ser questionado por aliados durante os 4 anos do mandato de Jerônimo.

Visto como figurativo e com pouca capacidade de articulação, de acordo com fontes, Geraldo tem como trunfo a sua proximidade com Jerônimo e o fato de ser o nome forte do MDB, que permanece como aliado de primeiro escalão e não pretende abrir mão da vaga.

Angelo Coronel e Otto Alencar no Senado Federal / Foto: Edilson Rodrigues | Agência Senado

Angelo Coronel e Otto Alencar no Senado Federal / Foto: Edilson Rodrigues | Agência Senado


Como tentativa de amenizar a crise, a posição chegou a ser discutida para ser oferecida ao PSD e para Coronel, o que foi rejeitado por Otto. A rejeição, porém, não colocou qualquer tipo de dúvida na aliança, com Otto reafirmando sua posição como aliado de Jerônimo e Lula.

"Não tem nada ainda definido, e o PSD estará apoiando a chapa, mas só indicará um nome, o do senador Ângelo Coronel. Se por acaso ele não for, o PSD vai (continuar) na aliança, mas não indicará nome nenhum, para não acharem que nós fizemos negociação tirando Coronel para indicar o vice. Não vai acontecer isso", pontuou.

Nem mesmo a entrada do governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, no PSD, demoveu Otto da aliança e, inclusive, pode ter sido um ponto que contribuiu para a ruptura definitiva de Coronel com o partido.

Segundo coluna da Metropoles, Coronel teria procurado Gilberto Kassab, presidente nacional do partido, para que a cúpula nacional mostrasse força e impusesse que o PSD Bahia caminhasse ao lado de Caiado.

A tentativa esbarrou no poder de Otto Alencar sobre a sigla no estado, um dos principais para o partido vide o alto número de prefeituras que detém, e o fato de Caiado já ter declarado apoio à candidatura de ACM Neto, o que mudaria drasticamente o cenário.

Diante da impotência em manter sua posição, restou a Coronel deixar o partido e romper com o grupo com o qual caminhava desde 2009, quando se reelegeu deputado estadual pelo PP e apoioi a candidatura de Jaques Wagner.