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Olívia Santana alerta para “epidemia de feminicídios” no Brasil

Deputada defende políticas públicas e mudança cultural às vésperas do Dia da Mulher

Por: Domynique Fonseca

06/03/202612:52Atualizado

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, a deputada estadual Olívia Santana (PCdoB) voltou a defender o fortalecimento de políticas públicas de proteção às mulheres e ações educativas para combater a violência de gênero no Brasil. A parlamentar foi a convidada desta sexta-feira (6) do programa Portal Esfera no Rádio, transmitido pela 97,5 FM e apresentado por Luis Ganem.

Foto Olívia Santana alerta para “epidemia de feminicídios” no Brasil
Foto: Pedro Henrique/ Portal Esfera

Durante a entrevista, a deputada afirmou que o país enfrenta uma realidade preocupante em relação aos casos de feminicídio e agressões contra mulheres. De acordo com ela, a sociedade ainda convive com práticas que acabam “naturalizando” esse tipo de violência.

“É uma barbárie em pleno século XXI. Estamos falando de uma epidemia de violência contra as mulheres. No ano passado, cerca de 1.500 mulheres foram mortas simplesmente por serem mulheres, muitas vezes porque decidiram terminar um relacionamento ou disseram ‘não’”, afirmou.

Casos recentes de violência

Olívia Santana também comentou episódios recentes que ganharam repercussão nacional. Entre eles, o caso de uma jovem que foi esfaqueada após rejeitar um relacionamento e outro episódio de violência sexual envolvendo uma adolescente.

Para a deputada, essas ocorrências evidenciam que o problema vai além da esfera criminal e envolve aspectos culturais profundamente enraizados.

“Quando jovens reproduzem esse tipo de violência, precisamos nos perguntar onde eles estão aprendendo isso. É preciso discutir educação para as relações entre homens e mulheres, dentro das famílias e também nas escolas”, destacou.

Corrida pela vida das mulheres

Durante a entrevista, a parlamentar também falou sobre a realização de uma corrida simbólica organizada por movimentos sociais e apoiada pela Assembleia Legislativa da Bahia. O evento tem como objetivo chamar a atenção para o combate ao feminicídio.

Segundo ela, as inscrições para a atividade já foram encerradas e a mobilização reúne atletas, entidades e organizações da sociedade civil.

“A corrida não é apenas uma atividade física. É uma corrida por uma causa: a defesa da vida das mulheres. É uma forma de denunciar os feminicídios e mobilizar a sociedade contra esse absurdo”, afirmou.

A iniciativa conta com a participação de Isabela Conde, sobrevivente de uma tentativa de feminicídio e integrante de uma associação que atua na promoção da atividade.

Leis avançadas e desafios na aplicação

A deputada também destacou que o Brasil possui legislações consideradas avançadas no combate à violência de gênero, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio.

No entanto, segundo ela, ainda existem dificuldades na aplicação efetiva dessas normas.

“O problema não é apenas a existência da lei, mas quem a interpreta e aplica. Muitas vezes ainda encontramos decisões que refletem uma mentalidade ultrapassada em relação às mulheres”, afirmou.

Olívia Santana defendeu que a sociedade acompanhe e cobre o funcionamento das instituições responsáveis por garantir a proteção das vítimas.

“Existe um machismo estrutural que ainda influencia decisões e comportamentos. Precisamos enfrentar isso com políticas públicas, educação e mobilização social”, concluiu.