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Jornalistas apontam descompasso entre investimento e sensação de segurança

Em entrevista ao Portal Esfera no Rádio, analistas discutem segurança pública na Bahia

Por: Marcos Flávio Nascimento

04/05/202613:06

segurança pública na Bahia voltou ao centro do debate durante entrevista ao Portal Esfera no Rádio, com apresentação de Luis Ganem, que recebeu os jornalistas políticos Jones Almeida, do Classe Política, e Raul Aguilar, do Política em Ponto. Em comum, a análise de que há avanço em estrutura, mas ainda um descolamento com a percepção da população.

Foto Jornalistas apontam descompasso entre investimento e sensação de segurança
Foto: Lorena Bomfim / Portal Esfera

Ao avaliar o cenário, Jones destacou que o governo tem investido em equipamentos e tecnologia, mas isso ainda não se reflete no dia a dia das pessoas. “Existe o reconhecimento do investimento na estrutura da Polícia Militar, mas a sensação de segurança ainda não acompanha isso”, afirmou. Segundo ele, o sentimento de insegurança segue presente em diferentes camadas sociais.

Na leitura do analista, o problema vai além da atuação policial e passa por questões estruturais do país. “A gente enfrenta um sistema onde muitas vezes a pessoa é presa e logo depois está solta. Isso impacta diretamente na percepção da população”, pontuou.

Já Raul Aguilar fez uma avaliação mais ampla do cenário, citando avanços na gestão da área. “Em termos de investimento e estruturação, há resultados concretos. Mas segurança é, antes de tudo, percepção. Não existe como garantir segurança plena em todos os lugares”, disse.

Ele também chamou atenção para fatores sociais que influenciam diretamente os índices de violência. “A gente precisa encarar problemas como desemprego, falta de educação de qualidade e ausência de políticas públicas na ponta. Sem isso, a criminalidade encontra espaço”, avaliou.

Ao abordar o crescimento do tráfico, Raul trouxe uma análise mais direta sobre a realidade nas periferias. “Para muita gente, o tráfico acaba sendo visto como uma alternativa de renda. É uma porta de entrada, ainda que ilegal, num contexto de falta de oportunidades”, afirmou.

O debate também passou pela atuação de policiais influenciadores digitais, fenômeno recente nas redes sociais. Para Raul, há um lado positivo na humanização da profissão. “Eles mostram que o policial não é um super-herói, mas alguém que também enfrenta risco diariamente”, disse.

Por outro lado, ele alertou para desvios de conduta associados ao uso da visibilidade. “Existe um problema quando essa exposição é usada para promover rifas ou jogos de azar, que podem configurar contravenção. É uma linha tênue que precisa de controle”, destacou.

Ao final, os dois analistas convergem em um ponto, o desafio da segurança pública exige mais do que reforço policial. Passa por políticas integradas, investimento social e respostas institucionais que consigam, de fato, impactar a vida da população.