Logo

“Pagodão é o novo axé da Bahia”, afirma Edu Casanova em entrevista

Cantor defende diversidade musical e critica falta de espaço para artistas locais

Por: Domynique Fonseca

07/01/202615:00Atualizado

O cantor e compositor Edu Casanova afirmou que o pagodão baiano representa atualmente a principal força de renovação da música da Bahia. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, transmitido nesta quarta-feira (7) pela Itapoan FM (97,5) e apresentado por Luis Ganem.

Foto “Pagodão é o novo axé da Bahia”, afirma Edu Casanova em entrevista
Foto: Lorena Bomfim/ Portal Esfera

Reconhecido como um dos nomes históricos do axé music, Edu destacou que sua formação artística vem do trio elétrico, do Carnaval e da condução da multidão nas ruas. Apesar de ter composições gravadas por bandas de pagode, como o É o Tchan, ele reforçou que sua identidade permanece ligada ao axé, ainda que enxergue no pagodão uma continuidade natural do movimento.

“O pagode vem do axé, mantou no Brasil durante 20 anos. É um processo legítimo”, afirmou.

Durante a entrevista, o artista defendeu a convivência entre gêneros e criticou o que classificou como falta de diversidade nas grandes grades de eventos da cidade. Segundo ele, festivais importantes acabam repetindo os mesmos nomes, enquanto artistas tradicionais da música baiana ficam fora da programação. Edu citou grupos e cantores como Cheiro de Amor, Jamil, Gilmelândia, Ara Ketu e Tatau como exemplos de nomes que deveriam ter mais espaço.

 

Força da música local 

O cantor também chamou atenção para a expectativa do público que visita Salvador. Para ele, turistas buscam ouvir a música local, e não artistas de outros gêneros já populares em diferentes regiões do país.

“Quem vem pra Bahia quer ouvir a música da Bahia”, disse, ao comparar a experiência com carnavais de outras capitais nordestinas, que priorizam seus artistas regionais.

Ao analisar o cenário atual, Edu avaliou que o axé dominou o mercado nacional por cerca de duas décadas, com grande projeção e altos cachês, mas que esse ciclo naturalmente se encerrou. Nesse contexto, o pagodão teria assumido o protagonismo, após anos de resistência e discriminação.

“Hoje está em primeiro plano, e com justiça. Eu acho maravilhoso”, concluiu.