Edu Casanova relembra trajetória no axé e reforça raízes no trio elétrico
Cantor fala da infância em Valença, da formação musical em Salvador e da evolução do gênero
Por: Domynique Fonseca
07/01/2026 • 12:58 • Atualizado
O programa Portal Esfera no Rádio, transmitido pela Itapoan FM (97,5), nesta quarta-feira (7), sob apresentação de Luis Ganem, recebeu o cantor e compositor Edu Casanova. Durante a entrevista, o artista, um dos nomes consagrados da música baiana, revisitou passagens marcantes de sua trajetória, compartilhou vivências no Carnaval e refletiu sobre o papel social da música, além dos desafios enfrentados ao longo de mais de três décadas de carreira.
Edu relembrou o início ainda jovem, passando por bandas como Top 69 e Novos Bárbaros, grupo no qual permaneceu por seis anos antes de seguir carreira solo. Segundo ele, a decisão foi motivada pelo desejo de ampliar horizontes artísticos e circular com a própria música pelo Brasil e pelo exterior. Durante esse período, o artista chegou a se apresentar anualmente fora do país, experiência interrompida com a chegada da pandemia.
De acordo com o cantor, a paralisação causada pela Covid-19 provocou uma ruptura profunda na carreira de muitos artistas. Após três anos sem apresentações, foi necessário recomeçar praticamente do zero.
“Você perde contatos, as pessoas mudam, quem estava no comando já não está mais”, relatou, ao destacar o impacto do período para o setor cultural.
Natural de Valença, no baixo sul da Bahia, Edu contou que chegou a Salvador ainda criança, quando a família buscava melhores condições de vida e estudo. Foi na capital que teve o primeiro contato com os trios elétricos na avenida, experiência que definiu sua identidade artística. Morador da Cidade Baixa, ele destacou a influência de nomes como Armandinho e Moraes Moreira em sua formação musical, além da passagem pelo teatro ao lado de Margareth Menezes, no Teatro Luiz Tarquínio.
Ao falar sobre suas composições, Edu ressaltou o compromisso da música com temas sociais. Para ele, a arte não deve se limitar à celebração superficial da alegria, mas também provocar reflexão. Suas canções, segundo explicou, retratam o contraste da sociedade baiana, marcada tanto pela festa quanto por problemas como violência, desigualdade social e preconceito.
“Somos um povo rico em alegria, mas também convivemos com profundas diferenças”, pontuou.
O artista afirmou que a música tem a função de informar, despertar consciência e abrir os olhos para questões que precisam ser enfrentadas.
“A arte não é só entretenimento ou consumo. Ela também precisa provocar”, defendeu, ao mencionar símbolos culturais e religiosos que refletem essa dualidade presente no cotidiano da Bahia.
Com 30 anos de carreira, entre o canto e a composição, Edu Casanova reafirma sua identidade ligada ao axé music e ao trio elétrico. Embora dialogue com outros gêneros e tenha músicas gravadas por bandas de pagode, ele reforça que sua base artística está no Carnaval e na condução do público nas ruas. Para o cantor, compreender o passado e assumir o papel social da música são caminhos essenciais para fortalecer o futuro da cultura baiana.
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