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Gilberto Gil encerra turnê em Salvador com celebração da música baiana

Show reúne quatro ícones no palco e transforma a Fonte Nova em manifesto cultural da Bahia

Por: Marcos Flávio Nascimento

21/12/202508:50Atualizado

Salvador foi o ponto final de uma história que começou há décadas. Na noite de sábado (20), Gilberto Gil escolheu a capital baiana para encerrar a turnê Tempo Rei, transformando a Casa de Apostas Arena Fonte Nova em um grande ato de representatividade da música baiana e de afirmação da cultura que moldou sua trajetória.

Show de Gilberto Gil em Salvador
Foto: Reprodução/Instagram @giltemporei

Mais do que um show, o encerramento teve cara de celebração coletiva. Ao dividir o palco com Ivete Sangalo, Carlinhos Brown e Daniela Mercury, Gil reuniu quatro gerações de artistas que ajudaram a projetar a Bahia como potência musical, do Tropicalismo aos grandes espetáculos populares que atravessam fronteiras.

Em um estado que, como o próprio artista costuma dizer, “deu régua e compasso” à sua formação, Gil se despediu da turnê reafirmando vínculos afetivos e simbólicos com o público. Ao ouvir os gritos de “eu te amo”, respondeu em tom de despedida, mas também de permanência, arrancando aplausos longos da plateia.

Gil e Ivete transformam o palco em encontro de gerações

A primeira participação especial da noite veio com Ivete, que dividiu os vocais com Gil em “Vamos Fugir”. O encontro teve clima de intimidade e reverência, com Ivete destacando a importância do cantor em sua formação artística e pessoal. O gesto de carinho no fim da canção selou um momento que misturou afeto, memória e admiração pública.

 

Carlinhos Brown leva a percussão para o centro da narrativa

Na sequência, Carlinhos Brown reforçou a dimensão afro-baiana do espetáculo ao interpretar “Nos Barracos da Cidade” ao lado de Gil. A percussão ganhou protagonismo e transformou a Fonte Nova em um grande terreiro sonoro, lembrando que a música baiana também é política, corpo e ancestralidade.

 

Daniela Mercury fecha o ciclo com exaltação à Bahia

O encerramento reservou uma surpresa que elevou ainda mais o tom simbólico da noite. Daniela Mercury surgiu no palco para cantar “Toda Menina Baiana”, enquanto Ivete e Brown dividiam os instrumentos, em uma imagem potente de comunhão artística. O momento sintetizou o espírito do show, a Bahia cantando a si mesma, em diferentes vozes, ritmos e histórias.

Ao longo da apresentação, o repertório costurou clássicos como “Palco”, “Refazenda” e “Tempo Rei”, reafirmando a longevidade e a atualidade da obra de Gilberto Gil. Um dos momentos mais sensíveis veio com “Drão”, acompanhada por imagens de Preta Gil ainda criança. A homenagem ganhou contornos ainda mais emocionais por marcar cinco meses de sua morte, lembrando que a música também é espaço de luto e permanência.

 

Ao encerrar a turnê em Salvador, Gilberto Gil não apenas se despediu de uma série de shows. Ele reafirmou a centralidade da música baiana na construção da identidade cultural brasileira e deixou claro que, mais do que um artista, segue sendo elo entre passado, presente e futuro da canção popular.