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Rafinha RSQ revela bastidores da carreira e aposta no DNA baiano

Produtor e compositor fala sobre planejamento, preconceito e sucesso nos bastidores

Por: Domynique Fonseca

22/01/202612:51Atualizado

O produtor e compositor Rafinha RSQ (@rafinharsq) foi o convidado desta quinta-feira (22) do programa Portal Esfera no Rádio, transmitido pela Itapoan FM (97,5) e apresentado por Luis Ganem. Considerado um dos nomes mais bem-sucedidos da música brasileira na atualidade, Rafinha soma hits em diferentes gêneros, mas ainda mantém uma atuação discreta diante do grande público, concentrando sua força nos bastidores da indústria musical.

Foto Rafinha RSQ revela bastidores da carreira e aposta no DNA baiano
Foto: Pedro Henrique/ Portal Esfera

Durante a entrevista, o artista que se define como “baiano de coração” explicou que o anonimato relativo foi uma escolha estratégica. Segundo ele, o sonho de ser artista existe desde a infância, mas a decisão foi adiada de forma planejada.

“Eu sempre quis ser artista, mas com 19 anos pensei em passar pelo menos dez anos compondo, produzindo e criando conexões para depois investir na minha carreira”, afirmou.

Rafinha destacou que a opção por atuar nos bastidores veio da observação da realidade do mercado. Para ele, muitos artistas enfrentam desvalorização financeira, enquanto a produção e a composição oferecem mais estabilidade e alcance.

“Eu queria trabalhar com todo mundo, criar base, fazer mercado, e só depois lançar algo meu, com estrutura e apoio”, explicou.

Da percussão aos grandes estúdios

Natural de Campos dos Goytacazes (RJ), Rafael Silva de Queiroz iniciou a trajetória musical ainda criança, tocando percussão. Aos 13 anos, mudou-se para Salvador, onde integrou bandas como LevaNóiz e, posteriormente, o Parangolé, durante o auge do sucesso “Rebolation”. Foi nesse período que precisou lidar com preconceitos por ser percussionista e produtor em um ambiente ainda marcado por estigmas culturais.

“Existe preconceito porque a percussão é uma cultura negra, africana. Eu tive que provar duas vezes que era capaz”, relembrou. No Parangolé, contou ter disputado vaga com outros 18 músicos até ser aprovado.

Virada como compositor e produtor

A mudança definitiva de rota veio com a composição de sucessos como “É Tudo Nosso, Nada Deles”, além de hits nacionais que atravessaram gêneros, como “Loka” (Simone & Simaria e Anitta), “Santinha” (Léo Santana) e “Apaixonadinha” (Marília Mendonça). A partir daí, Rafinha consolidou o desejo de não se limitar ao pagodão e passou a transitar entre o samba, sertanejo, pop e funk.

Com artistas como Anitta, Kevinho, Luísa Sonza, Pedro Sampaio e Dilsinho, o produtor passou a aplicar sua principal marca: levar a linguagem musical da Bahia para diferentes estilos.

“Não é sobre levar artistas, é sobre levar o nosso molho, o nosso DNA”, destacou.

Planejamento e novos caminhos

Rafinha também comentou sobre a rotina de estúdio e as mudanças de vida após se tornar pai. Se antes passava noites inteiras produzindo, hoje prioriza horários mais regulares e qualidade de vida, sem abrir mão da criatividade.

“A manhã tem algo divino. Produzir durante o dia é mágico”, afirmou.

Ao falar sobre a decisão de deixar a estrada como músico de Léo Santana para focar na produção, Rafinha reconheceu o risco, mas reforçou que a escolha foi determinante para ampliar horizontes.

“Eu precisei abdicar de algo certo para alcançar outras oportunidades. Foi uma decisão difícil, mas necessária”, concluiu.