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Edu Casanova diz que "viver de arte no Brasil ficou ainda mais difícil"

Artista afirma que shows sustentam a carreira e critica a falta de valorização cultural

Por: Marcos Flávio Nascimento

07/01/202618:00

Viver de arte no Brasil segue sendo um desafio diário, mesmo com as transformações trazidas pelas plataformas digitais e pela chamada democratização da música. A avaliação é do cantor e compositor Edu Casanova, que falou sobre o tema durante entrevista ao Portal Esfera no Rádio, nesta quarta-feira (7), ao comentar o cenário atual da música brasileira e a sobrevivência financeira dos artistas.

Foto Edu Casanova diz que "viver de arte no Brasil ficou ainda mais difícil"
Foto: Pedro Henrique / Portal Esfera

Segundo o artista, a facilidade de produzir música em casa ampliou o acesso ao mercado, mas também tornou a concorrência mais dura.

“Hoje qualquer pessoa faz música em casa, todo mundo virou compositor. Isso democratizou, todo mundo tem oportunidade, mas, por outro lado, ficou ainda mais difícil viver de arte no Brasil”, afirmou.

Shows viram principal fonte de renda

Durante a entrevista, Edu Casanova destacou que a composição musical, sozinha, já não garante sustento para a maioria dos artistas. De acordo com ele, a realidade empurrou muitos compositores para os palcos como única alternativa viável de renda.

“O compositor tá tendo que fazer show. Eu mesmo vivo dos shows que faço, muito mais do que da composição”, revelou.

Ainda assim, o artista pondera que nem mesmo os shows oferecem estabilidade. Para ele, o mercado segue restrito e concentrado.

“É um mercado difícil. Tem quatro ou cinco bandas ganhando dinheiro na Bahia hoje. Pra todo mundo, ficou difícil”, disse.

Falta de preparo e fé como sustento

Questionado se havia se preparado para esse cenário, Edu Casanova respondeu de forma direta e pessoal. “Eu costumo dizer que nunca me preparei pra nada. Eu vivo comendo do que eu faço”, afirmou, ressaltando que, apesar das dificuldades, mantém a fé e a resiliência para seguir na carreira artística.

“Graças a Deus, Deus tem me abençoado. O feijão e o arroz não têm faltado”, completou o cantor, ao reforçar que a valorização da cultura e políticas de incentivo seguem sendo pontos centrais para a sobrevivência da arte no Brasil.

A fala do artista reacende o debate sobre a precarização do trabalho artístico, a concentração de renda no mercado musical e a necessidade de ações estruturais para garantir condições mais justas a quem vive da criação cultural.