Bago de Jazz destaca força da música instrumental baiana
Grupo fala sobre trajetória, influências e valorização dos músicos locais
Por: Domynique Fonseca
07/04/2026 • 12:56 • Atualizado
A cena da música instrumental em Salvador foi o centro da conversa no programa Portal Esfera desta terça-feira (7), na 97,5 FM. Durante a entrevista ao apresentador Luis Ganem, os integrantes do grupo Bago de Jazz (@bagodejazz), Alan Moraes e Luciano Pinto, destacaram a trajetória da banda, as influências musicais e os desafios de produzir jazz e música instrumental na capital baiana.
Formado em 2015, o grupo nasceu inicialmente como um quarteto, reunindo músicos experientes da cena local com o objetivo de explorar a liberdade criativa que nem sempre é possível ao acompanhar grandes artistas. Segundo os integrantes, a proposta surgiu justamente da necessidade de experimentar.
“O músico quer improvisar, testar ideias. Quando você está acompanhando um artista, existe uma direção. No grupo, a gente tem liberdade para estudar e criar”, explicaram.
Essa busca por expressão também deu origem ao nome da banda. Inspirado no “bago da jaca”, o conceito traduz a ideia de apreciar a música instrumental de forma gradual.
“Se você tentar entender tudo de uma vez, pode desistir. A proposta é ir nota por nota, ‘bago por bago’, para ampliar a percepção musical”, disseram.
Durante o bate-papo, o grupo também ressaltou a qualidade dos músicos baianos e criticou a ideia de que a produção local seria limitada.
“Existe um folclore de que o músico baiano é simples, mas isso não é verdade. Aqui tem músicos extremamente virtuosos”, afirmaram.
Segundo eles, o diferencial está na identidade rítmica da Bahia. “O baiano tem um ‘molho’, um swing diferente, muito por conta da percussão. Quando a gente toca fora, isso chama atenção.”
Apesar dos desafios, o Bago de Jazz avalia que Salvador tem aberto espaço para a música instrumental. O grupo citou iniciativas e locais que vêm fortalecendo o gênero, como apresentações no Museu de Arte Moderna da Bahia e eventos como o Jazz na Avenida, na região de Armação.
“A gente encontrou espaços e oportunidades. Existe público interessado, sim”, destacaram.
Com agenda frequente na cidade, o grupo relata que tem conquistado novos ouvintes, inclusive pessoas que não tinham contato prévio com o jazz.
Os músicos também falaram sobre experiências ao lado de artistas renomados e bastidores da carreira. Entre os nomes citados estão Milton Guedes e Arthur Maia, referências que marcaram a trajetória do grupo.
O grupo reforçou que o projeto segue com a proposta original: estudar, experimentar e aproximar o público da música instrumental. “A ideia sempre foi essa: evoluir como músico e compartilhar isso com as pessoas.”
