Rapper baiano lança álbum “Banzo” e exibe filme inédito em Salvador
Projeto une rap, samba e reggae para discutir saúde mental, ancestralidade e vivência negra
Por: Marcos Flávio Nascimento
13/05/2026 • 12:01 • Atualizado
O artista baiano lança nesta sexta-feira (16) o álbum “Banzo, a busca”, terceiro trabalho de estúdio da carreira, em um projeto que mistura rap, samba, reggae, rock e R&B para discutir temas como saúde mental, identidade racial e ancestralidade. O lançamento acontece às 18h, com exibição gratuita de um filme baseado no disco na Cinema Walter da Silveira, em Salvador.
Com 15 faixas, o novo trabalho propõe uma reflexão sobre a experiência de ser negro no Brasil, abordando questões como racismo estrutural, sofrimento psicológico e o impacto do individualismo na sociedade contemporânea. O nome do disco remete ao termo africano banzo, associado a um sentimento profundo de tristeza, deslocamento e nostalgia herdado historicamente por pessoas negras.
Segundo o artista, o projeto nasce da observação das transformações sociais e do adoecimento emocional que atravessa a rotina contemporânea.
“Esse é um disco que surge muito da minha observação do mundo ao meu redor e de como uma pessoa negra pode ser afetada pela realidade do seu entorno”, afirmou.
Ele acrescenta que o álbum também questiona o modelo de vida pautado pela performance e pelo isolamento. “Essa imposição do ‘faça sozinho’ e do ‘vença sozinho’ tem estimulado cada vez mais os índices de ansiedade, depressão e o uso de remédios controlados”, disse.
Filme gravado em Salvador
Além do álbum, “Banzo, a busca” será lançado em formato audiovisual. O projeto ganhou um filme gravado em diferentes pontos de Salvador, conectando música e cinema para ampliar a narrativa proposta pelas faixas.
Entre os cenários escolhidos estão o Parque São Bartolomeu, o Pelourinho, o Largo Dois de Julho e a Praia da Preguiça.
A identidade visual do disco também dialoga com referências da cultura afro-brasileira, com destaque para elementos ligados a Oxóssi, além de sonoridades inspiradas em afrobeat e samba-reggae.
“Nesse álbum há uma referência muito direta a Oxóssi, nessa ideia de propor uma outra relação com a terra e com o mundo que nos cerca”, explicou o cantor.
Participações e convidados
O projeto reúne nomes de diferentes cenas musicais do país. Entre os convidados estão Paulo Vieira, com participações gravadas em São Paulo, além de Thiago Jamelão, Marcos Oorun, vencedor do Pipoca da Ivete, e os baianos Kafé, Billy Fat, Dois As, Raiashi e 16 Beats.
A produção musical ficou por conta de Raffa Munoz, indicado ao Grammy Latino, além de outros produtores da cena independente.
A proposta, segundo o artista, é transformar o álbum em uma experiência que vá além da música. “A conclusão é que precisamos do outro. Só caminhando em comunidade conseguimos encontrar respostas para as angústias do nosso tempo”, resumiu.
