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Pelourinho é palco de cultura, arte e cidadania viva

Projetos mantêm viva a herança e resistência no coração do Pelô

Por: Victor Hugo

23/06/202515:00

O Pelourinho, ícone de Salvador e reconhecido como Patrimônio da Humanidade, é um espaço que, em suas ruas históricas e nos alicerces dos sobrados, guarda não apenas memórias de dor e resistência, mas também a rica herança de uma cultura vibrante que continua a se manifestar no presente. No coração dessa narrativa de resiliência, quatro instituições — Olodum, Fundação Casa de Jorge Amado, Projeto Axé e Fundação Mestre Bimba — desempenham um papel fundamental ao manter viva a essência de um Pelô que vai além de um mero destino turístico: é um verdadeiro território de cidadania.

Oludum
Foto: Divulgação/Prefeitura de Salvador

Veja os principais projetos no Pelourinho:

Olodum 

O Olodum é uma holding cultural que integra música, educação, artes visuais e artes cênicas a uma agenda de justiça social, inclusão e valorização da cultura afro-brasileira, impactando Salvador e inspirando iniciativas no Brasil e no mundo.

Nos seus projetos sociais, a instituição tem como objetivo desenvolver a formação de crianças, jovens e adultos, fornecendo conhecimentos adicionais àqueles adquiridos nas escolas públicas. Isso possibilita uma formação cultural mais ampla, capacitando-os a exercer o papel de cidadãos conscientes e a desempenhar um papel mais digno na sociedade.

Um exemplo disso é o GAPA (Grupo de Apoio e Prevenção à AIDS), que, em parceria com o Grupo Gay da Bahia, realiza periodicamente palestras, debates e a distribuição de preservativos para evitar a propagação de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs).

Além disso, o Bando de Teatro Olodum, fundado em 1990, é um dos grupos de teatro negro mais longevos da América Latina. O grupo promove oficinas e espetáculos, como o “Projeto Erê”, e foi responsável pelo desenvolvimento do projeto e do filme "O PAI O", lançado em 2007.

Fundação Casa de Jorge Amando 

A Fundação Casa de Jorge Amado, instalada no icônico casarão azul do Largo do Pelourinho em Salvador, é uma instituição cultural e arquivo dedicado à preservação da vida e obra do grande escritor baiano Jorge Amado (1912–2001) e de sua companheira, Zélia Gattai.

A Fundação também investe em literatura contemporânea: o Prêmio Myriam Fraga para Autores Inéditos já publicou livros de novos escritores com ampla participação nacional — foram 502 inscritos na última edição. O Clube de Leitura Myriam Fraga, por sua vez, é realizado em parceria com o Diretório Acadêmico de Letras da UFBA e a Academia de Letras da Bahia.

Cursos, oficinas e seminários gratuitos fazem parte da rotina, além de grandes eventos como a FLIPELÔ — maior festa literária da Bahia, que em 2024 atraiu 250 mil pessoas, gerou mais de mil empregos diretos e ocupou 153 espaços.

A Fundação Casa de Jorge Amado é muito mais que um museu: é um vibrante centro cultural e fórum de debates, que promove a arte, a literatura e a cultura da Bahia, resgatando a memória do escritor e inspirando novas gerações

Projeto Axé

O Projeto Axé é uma ONG de Salvador, fundada em 1990 por Cesare de Florio La Rocca, que atua com crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade — em especial aqueles em situação de rua —, por meio da ArtEducação e da inovadora Pedagogia do Desejo

Já em seu impacto social, o projeto atendeu aproximadamente 1.500 jovens por ano, com mais de 30.000 pessoas impactadas em 30 anos. Além disso, cerca de 85% dos beneficiados não retornam à rua, mostrando alto índice de sucesso de acordo com o próprio projeto. O Projeto ainda promove capacitação em áreas como capoeira, música, dança, moda, artes visuais e atividades de cidadania.

Fundação Mestre Bimba e o projeto Capoerê

A Fundação Mestre Bimba (FUMEB) é uma instituição dedicada à preservação e promoção da Capoeira, com destaque para o Projeto Capoerê, criado nos anos 90 por Frede Abreu. Este projeto social já beneficiou milhares de crianças e adolescentes na Bahia, oferecendo aulas de capoeira e promovendo inclusão social.

O Capoerê visa promover a emancipação e transformação social, criando oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade. As comunidades atendidas frequentemente enfrentam desafios como a falta de serviços básicos, violência urbana e escassez de iniciativas culturais e de lazer. Nesse contexto, o projeto se destaca como uma das poucas oportunidades para os jovens vivenciarem a cultura da capoeira e outras atividades recreativas.

Meninos do Pelô

O projeto Meninos do Pelô é uma iniciativa que utiliza a capoeira como ferramenta de transformação social, oferecendo a crianças e adolescentes de Salvador a oportunidade de aprender e vivenciar essa rica manifestação cultural. Através da capoeira, os jovens desenvolvem habilidades, promovem a inclusão e fortalecem a identidade cultural.