“Não sou só cantor e compositor, sou gestor social”, diz Tonho Matéria
Artista destaca papel social da cultura em entrevista ao Portal Esfera no Rádio
Por: Domynique Fonseca
09/02/2026 • 13:08 • Atualizado
Com mais de cinco décadas dedicadas à música e à cultura afro-baiana, o cantor, compositor, capoeirista e gestor social, Tonho Matéria (@tonhomateria) foi o convidado do programa Portal Esfera no Rádio, transmitido pela 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem, nesta segunda-feira (9). Durante a entrevista, o artista falou sobre a própria trajetória, projetos sociais e a importância da capoeira como ferramenta de formação cidadã.
Integrante Olodum e autor de mais de 400 composições gravadas por diversos intérpretes da música baiana, Tonho afirmou viver um momento de maturidade artística e pessoal.
“Eu acredito que estou nos melhores momentos da minha trajetória, porque hoje eu provo não só o lado do cantor e compositor, mas também do produtor e de quem pensa em construir algo para a sociedade”, declarou.
Fundador do Grupo Capoeira Mangangá, criado em 2001, o artista destacou o trabalho desenvolvido pela instituição em comunidades de Salvador. Segundo ele, o programa Artes em Movimento reúne ações culturais, educacionais e profissionalizantes.
“A Mangangá dá esse contexto. Hoje, a gente já tem jovens estudando em universidades, mães e pais que se tornaram empreendedores individuais, com seus próprios maquinários”, afirmou.
Tonho também destacou o projeto Rodas das Divas, iniciativa voltada exclusivamente para mulheres.
“É um espaço onde elas discutem política social, econômica, cultural e artística. É fundamental criar esses ambientes de escuta e protagonismo”, explicou.
Capoeirista desde os 11 anos, Tonho ressaltou a ancestralidade da prática em sua vida.
“Quando olham pra mim, veem a capoeira. Mas, naquela época, eu não via a capoeira como performance. Ela sempre foi uma coisa ancestral, algo que eu trouxe dos meus mestres para dar formação nas comunidades”, disse.
Segundo o artista, a capoeira vai além do movimento corporal.
“Você não precisa só ser capoeirista. Precisa aprender a jogar capoeira com a roda da vida. Hoje, nessa roda, a gente tem engenheiros, advogados. Eu vi um jovem da comunidade, de escola pública, tirar 9,9 na OAB”, relatou.
Durante a conversa, Tonho também comentou sobre sua visão inovadora dentro da capoeira, especialmente ao aproximá-la da comunicação e do mercado cultural.
“Eu não modifiquei a capoeira. Eu modifiquei os elementos que estavam em volta dela, pra que ela pudesse ser apresentada de outra forma. A capoeira também é marca, identidade e comunicação”, afirmou.
O artista destacou ainda a expansão da capoeira pelo mundo. “Hoje a capoeira está em mais de 170 países. Pode ter guerra, conflito, o que for. Quando a capoeira chega, tudo para. Ela une pessoas e culturas”, disse.
Tonho Matéria reforçou a importância de oferecer horizontes para a juventude.
“Eu sempre digo ao jovem: você pode. É só buscar o caminho. Cada um descobre o seu. Eu descobri o meu, e é isso que a gente tenta provocar nas comunidades”, concluiu.
