CineOP destaca humor feminino e uso de arquivos no cinema
Evento gratuito discute preservação e educação no cinema nacional
Por: Iago Bacelar
25/06/2025 • 09:51
O Festival de Cinema de Ouro Preto (CineOP) chegou à 20ª edição com uma programação voltada à preservação do audiovisual brasileiro e ao papel das mulheres no humor cinematográfico. Realizado de forma gratuita em Ouro Preto (MG), o evento teve início na terça-feira (24) e segue até segunda-feira (30), com o tema “Preservação e Educação – a alma do cinema brasileiro”.
A homenageada principal deste ano é Marisa Orth, atriz, cantora e apresentadora com trajetória no teatro, televisão e cinema. Conhecida do grande público pelo humor televisivo, Orth também participou de obras como Doces Poderes (Lúcia Murat), A Má Criada (Sung Sfai) e A Origem dos Bebês Segundo Kiki Cavalcanti (Anna Muylaert), exibidos na sessão de abertura do festival.
Humor feminino no centro da proposta curatorial
O curador Cléber Eduardo explicou que a proposta do festival para 2024 buscou abordar o protagonismo feminino na comédia nacional, tanto na atuação quanto na direção.
“Os grandes emblemas da comédia no cinema brasileiro foram predominantemente masculinos. A comédia com protagonismo feminino, como fenômeno cultural, é algo mais recente, do século XXI”, afirmou o curador.
A pesquisa conduzida por Eduardo, com apoio da curadora assistente Juliana Gusman, resultou em uma seleção que destaca desde produções como Os Homens que Eu Tive (1973), de Tereza Trautman, até títulos contemporâneos como Na Rédea Curta (2022), de Glenda Nicácio e Ary Rosa, e Sinfonia da Necrópole (2014), de Juliana Rojas. O curador destacou que parte das escolhas envolveu obras que, mesmo não sendo classificadas como comédias, carregam o humor como linguagem predominante.
Mostra competitiva foca no uso de arquivos no cinema atual
Uma das principais novidades do CineOP em 2024 é a criação de uma mostra competitiva com foco em filmes contemporâneos que utilizam material de arquivo. Segundo Cléber Eduardo, o uso frequente desse recurso motivou uma reflexão crítica no festival.
“O arquivo virou, talvez, uma facilidade excessiva, o que incorre também em uma falta de rigor na sua utilização nos filmes. Então a gente propõe um posicionamento crítico em relação a essa facilidade atual”, explicou.
Entre os títulos selecionados estão Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky, de Liliane Maia e Jorge Bodanzky; Os Ruminantes, de Tarsila Araújo e Marcelo Mello; Paraíso, de Ana Rieper; Itatira, de André Luís Garcia; e Meu Pai e Eu, de Thiago Moulin.
Sérgio Machado e clássicos restaurados também integram a programação
O cineasta baiano Sérgio Machado apresenta 3 Obás de Xangô, longa-metragem construído a partir de uma pesquisa de arquivo sobre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé. O filme traça a amizade entre os três artistas e sua influência na imagem da cultura baiana.
Também integram a programação do CineOP cópias restauradas de clássicos brasileiros, como A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla, com a atriz baiana Helena Ignez; Alô! Alô! Carnaval! (1936), de Adhemar Gonzaga, estrelado por Carmen Miranda; e O Capitão Bandeira contra o Dr. Moura Brasil (1971), de Antônio Calmon.
Festival mantém espaço para acervos e educação no audiovisual
Além das exibições, o CineOP abriga o Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros, o Encontro da Educação Rede Kino e outros grupos de trabalho voltados à tríade História, Preservação e Educação. Essas ações consolidam o festival como um espaço de articulação entre produção artística, formação e políticas públicas voltadas ao setor.
