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Estreia de 'Homem com H' na Netflix surpreende o público

Público se divide entre acessibilidade e defesa da bilheteria

Por: Iago Bacelar

25/06/202510:09

A estreia de 'Homem com H' na Netflix, no dia 17 de junho, causou surpresa ao ocorrer enquanto o filme ainda está em cartaz nos cinemas. A decisão provocou reações diversas nas redes sociais e gerou debate sobre os impactos dessa estratégia para o setor audiovisual brasileiro.

Estreia de 'Homem com H' na Netflix surpreende o público
Foto: Divulgação/Paris Filmes

O longa, dirigido por Esmir Filho e protagonizado por Jesuíta Barbosa no papel de Ney Matogrosso, estreou nos cinemas nacionais pouco antes de ser disponibilizado na plataforma de streaming. A medida, considerada atípica para os padrões do mercado, não foi explicada publicamente pela Netflix nem pela distribuidora Paris Filmes.

Longa narra trajetória de Ney Matogrosso

A produção retrata a vida pessoal e artística de Ney Matogrosso, desde a infância até a fase adulta, passando por momentos vividos durante a ditadura militar e pela complexa relação com o pai. Além de Jesuíta Barbosa, o elenco conta com Rômulo Braga, Bruno Montaleone e Jullio Reis.

O título do filme faz referência à canção "Homem com H", lançada em 1981, que se tornou um dos marcos da carreira de Ney. A narrativa utiliza diferentes fases da vida do artista para discutir identidade, sexualidade e repressão política.

Estratégia divide opiniões nas redes

A decisão de lançar o filme simultaneamente em cinemas e streaming dividiu o público. Parte dos usuários comemorou a disponibilidade do título na Netflix, principalmente por facilitar o acesso em cidades sem salas de exibição ou com pouca oferta de filmes nacionais. Outro argumento recorrente foi o alto custo de ida ao cinema.

“Algumas pessoas não têm cinema perto de casa ou não conseguem pagar ingresso. O streaming ajuda essas pessoas a verem filmes que, de outro modo, não assistiriam”, publicou um usuário no X (antigo Twitter), em post que repercutiu entre defensores da estratégia.

Por outro lado, houve críticas à escolha, com receio de que o lançamento antecipado no digital prejudique a bilheteria de produções brasileiras, que já enfrentam desafios de distribuição e público.

“Essa decisão enfraquece o circuito comercial e desestimula a ida aos cinemas para ver filmes nacionais. Isso pode gerar um efeito negativo para os próximos lançamentos”, avaliou outro internauta.

Prática rompe padrão de janela tradicional

No Brasil, a chamada janela de exibição entre o cinema e as plataformas de streaming costuma ser de aproximadamente 30 a 45 dias. Esse intervalo permite que os longas aproveitem seu desempenho nas salas antes de chegarem às plataformas digitais.

Com a chegada imediata de Homem com H ao catálogo da Netflix, essa lógica foi alterada, sem que o público ou o setor tenham recebido justificativas formais sobre os motivos para a antecipação. Até o momento, nenhuma declaração oficial foi emitida pela Netflix ou pela Paris Filmes.

Especialistas do setor e profissionais da área cultural têm discutido alternativas para equilibrar as novas dinâmicas de consumo com a sustentabilidade da cadeia cinematográfica. A antecipação da exibição em streaming se tornou mais comum durante a pandemia, mas ainda é vista com cautela por parte dos produtores e exibidores.