Cais vence no Júri, na Crítica e no Público e reafirma força do cinema baiano
Filme baiano Cais faz “strike” no Olhar de Cinema e emociona o Brasil
Por: Lorena Bomfim
20/06/2025 • 11:20
O filme Cais, dirigido por Safira Moreira e produzido por Flávia Santana, foi o grande destaque da noite de premiação do festival Olhar de Cinema, em Curitiba, na quarta-feira (18). A produção conquistou os prêmios de Melhor Filme pelo Júri Oficial, pelo Júri da Crítica e pelo voto do Público – um verdadeiro "strike", como definiu o colega de equipe Rafael Carvalho.
A cerimônia aconteceu na véspera do Dia do Cinema Nacional e marcou mais um capítulo de sucesso na trajetória do longa-metragem baiano, que já vem se destacando em festivais dentro e fora do Brasil. Antes de Curitiba, Cais foi exibido no Festival Internacional de Cine en Guadalajara, no México, e tem participações confirmadas no BlackStar Film Festival, na Filadélfia (EUA). Em 2024, o filme foi contemplado com apoio do Sundance Documentary Fund, ligado ao renomado Sundance Institute.
Produzido pela Mulungu Realizações Culturais, em parceria com a Omnirá Filmes e a Giro Planejamento Cultural, Cais conta com patrocínio do programa Rumos Itaú Cultural e do Fundo Avon Mulheres no Audiovisual (FAMA).
Mudança de rota e força emocional
A ideia original do projeto surgiu em 2018, a partir do desejo de Safira Moreira de reconstruir, ao lado da mãe, dona Angélica Moreira, a memória da avó. “Era um filme sobre memórias apagadas de famílias negras”, explica a produtora Flávia Santana. No entanto, com o adoecimento e posterior falecimento de dona Angélica em 2022, o projeto precisou ser redirecionado.
Apesar da dor, Safira decidiu seguir com a produção. “Dois meses após a partida da minha mãe, pegamos a estrada. Era uma equipe pequena: quatro adultos e um bebê. Cruzamos a Bahia e o Maranhão, guiados por sonhos, lembranças e intuições”, conta a diretora.
O longa foi construído ao longo do tempo e tem como referências simbólicas os rios Paraguaçu e Alegre. “É um filme esculpido no tempo. Um processo intuitivo e sensível”, resume Safira.
Reconhecimento e conexão com o público
Para Flávia Santana, estrear nacionalmente no Olhar de Cinema foi motivo de orgulho. “É um dos maiores festivais do país, com uma curadoria atenta às produções independentes e ao cinema fora do eixo tradicional. Estrear lá foi uma homenagem à dona Angélica e ao nosso trabalho”, afirma.
Ela destaca ainda a importância do Prêmio do Público. “O reconhecimento do júri e da crítica é incrível, mas saber que o público se conectou com o filme é o maior prêmio de todos. A gente faz cinema para alcançar pessoas”, finaliza.
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