Em Gaza, número de mortes por fome chega a 101 em meio a bloqueio e ataques
Quatro crianças morreram nas últimas 24 horas, segundo autoridades palestinas
Por: Iago Bacelar
22/07/2025 • 10:31 • Atualizado
O Ministério da Saúde da Palestina confirmou nesta terça-feira (22) a morte de 15 pessoas por fome e má nutrição na Faixa de Gaza nas últimas 24 horas. O grupo inclui quatro crianças, vítimas diretas da crise humanitária causada pela guerra em curso desde outubro de 2023.
Com as novas mortes, o total de palestinos que faleceram por desnutrição severa chegou a 101, sendo 80 crianças. O número reflete os impactos do bloqueio imposto por Israel e a dificuldade de entrada de ajuda humanitária na região.
No comunicado divulgado, o Ministério da Saúde fez um apelo direto para a comunidade internacional:
"Salvem Gaza da fome", pediu o órgão.
Israel amplia ofensiva militar no território palestino
A guerra na Faixa de Gaza segue em escalada. No último domingo (20), Israel ordenou a evacuação de uma nova área no centro do território, expandindo sua operação militar para regiões onde suas Forças de Defesa ainda não haviam atuado diretamente.
Segundo a agência de defesa civil local, 93 palestinos foram mortos quando tentavam receber ajuda humanitária. O ataque também deixou dezenas de feridos. O episódio foi repercutido pela imprensa internacional e gerou reações em órgãos multilaterais.
As ações fazem parte da campanha israelense para atingir alvos do grupo Hamas, que controla Gaza desde 2007. No entanto, civis continuam sendo os mais impactados.
ONU alerta para restrições na ajuda humanitária
A ONU voltou a alertar para os obstáculos à entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. O território permanece cercado e em condições críticas, com alimentos, água e medicamentos escassos.
Segundo as agências das Nações Unidas, os níveis de desnutrição se tornaram alarmantes, com relatos de mortes por inanição se tornando frequentes, principalmente entre crianças e idosos.
O apelo da ONU é por acesso humanitário urgente, sem o qual a estimativa é que o número de vítimas continue aumentando nas próximas semanas.
Comunidade internacional cobra fim da guerra
Na segunda-feira (21), ministros das Relações Exteriores de 25 países, incluindo Reino Unido, França, Itália e Japão, divulgaram uma declaração conjunta pedindo o fim imediato da guerra em Gaza.
No texto, os países afirmam que:
"Condenamos o assassinato desumano de civis, incluindo crianças, que buscam atender às suas necessidades mais básicas de água e alimentos", diz a declaração.
A pressão externa tem se intensificado, mas ainda não surtiu efeitos práticos na interrupção das ações militares ou na ampliação do acesso humanitário ao território palestino.
Número de mortos continua a crescer
Ainda nesta terça-feira (22), fontes médicas informaram que 43 pessoas morreram em Gaza em decorrência de ações das forças israelenses, segundo reportagens da mídia local.
A somatória entre vítimas diretas dos ataques e mortes causadas por fome e desnutrição escancara o cenário de crise vivenciado pelos palestinos. Organizações humanitárias e observadores internacionais alertam para o risco de colapso completo do sistema de saúde e assistência social da região.
A situação permanece grave e sem previsão de resolução, enquanto o bloqueio israelense e os ataques continuam, e a ajuda internacional segue com acesso restrito ao território.
