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Violência digital contra mulheres negras atinge níveis alarmantes

Levantamento aponta que 71% das ameaças envolvem morte ou estupro

Por: Iago Bacelar

27/08/202518:00

O Instituto Marielle Franco (IMF) lança nesta quarta-feira (27), às 19h, no salão nobre da Câmara dos Deputados, a pesquisa inédita “Regime de ameaça: a violência política de gênero e raça no âmbito digital (2025)”. O estudo apresenta dados sobre ataques digitais sofridos por mulheres negras na política brasileira.

Violência digital contra mulheres negras atinge níveis alarmantes
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Padrões de violência digital

Segundo o levantamento, a violência política digital segue um padrão coordenado. Entre os casos mapeados, 71% das ameaças envolveram morte ou estupro, enquanto 63% das ameaças de morte faziam referência direta ao assassinato de Marielle Franco. O feminicídio da vereadora em 2018 é citado como símbolo e advertência para mulheres negras que buscam cargos de poder.

Perfil das vítimas e metodologias

O estudo aponta que as principais vítimas são mulheres negras cis, trans, travestis, LGBTQIA+, periféricas, defensoras de direitos humanos, parlamentares, candidatas e ativistas. A sistematização dos dados foi feita a partir de atendimentos do IMF em parceria com o Instituto Alziras, portal AzMina, coletivo Vote LGBT e InternetLAB, além de informações da Justiça Global e da organização Terra de Direitos.

“São mulheres que carregam, na vida e na luta, a base que sustenta este país, mas seguem invisibilizadas. A violência que atinge cada uma delas é também uma violência contra a democracia”, disse Luyara Franco, diretora executiva do IMF e filha de Marielle.

Recomendações e objetivo do levantamento

O relatório sugere a criação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência Política de Gênero e Raça, que deve orientar ações do Estado, do Legislativo, da sociedade civil e das plataformas digitais para proteger mulheres negras na política.

Luyara Franco afirmou que a pesquisa comprova que a violência digital contra mulheres negras “não é isolada, mas parte de um sistema que busca afastar essas mulheres da vida pública”. Ela acrescentou que o objetivo é usar o estudo como base para ações concretas: “Queremos que essa publicação sirva de base para ações concretas de proteção e para responsabilizar agressores e plataformas digitais. Nosso compromisso é com a memória, a justiça e a construção de um país em que as mulheres possam existir e disputar espaços políticos sem medo”.