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Brasileiros perdem milhões em benefícios por falta de orientação no pós-luto

Seguro DPVAT, auxílios trabalhistas e pensão do INSS estão entre os valores mais esquecidos pelas famílias

Por: Lorena Bomfim

28/08/202518:19Atualizado

A perda de um ente querido, além do impacto emocional, também pode gerar prejuízos financeiros para as famílias brasileiras. De acordo com um levantamento da Planeje Bem, primeira plataforma digital do país dedicada ao planejamento sucessório e ao apoio pós-perda, os herdeiros deixam de resgatar, em média, entre R$ 10 mil e R$ 50 mil em benefícios a que o falecido tinha direito.

Brasileiros perdem milhões em benefícios por falta de orientação no pós-luto
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Segundo a diretora executiva e fundadora da empresa, Carolina Aparício, a principal causa desse prejuízo é o desconhecimento sobre os chamados “ativos invisíveis”, que incluem direitos financeiros e sociais não necessariamente vinculados ao inventário.

“É comum imaginar que todos os bens e direitos passem obrigatoriamente pelo inventário, mas há valores que podem ser resgatados de forma simples, desde que se saiba onde e como procurar. Muitos acabam esquecidos porque as famílias não recebem orientação clara em um momento já delicado de luto”, explica Carolina.

Benefícios mais esquecidos

Com base no atendimento aos clientes, a Planeje Bem identificou os ativos mais negligenciados pelas famílias e o percentual médio de esquecimento:

  • DPVAT (indenização por acidente ou morte): 40%

  • Auxílios e benefícios trabalhistas (FGTS, PIS/Pasep, salários, férias, 13º, entre outros): 25% a 30%

  • Contas bancárias, investimentos e consórcios: 25%

  • Seguros de vida e de acidentes pessoais: 20%

  • Seguros corporativos e previdência privada (PGBL/VGBL): 20%

  • Pensão por morte do INSS: 10%

Além desses, existem outros benefícios menos divulgados, como auxílio-funeral oferecido por bancos e operadoras de cartão (entre R$ 2 mil e R$ 5 mil), milhas aéreas — que podem gerar perdas de até R$ 4 mil se não transferidas —, além de carteiras digitais e outros recursos atrelados a cartões de crédito.

Grande parte desses valores pode ser acessada sem necessidade de inventário, mas respeitando prazos legais e exigências documentais que muitas vezes não são conhecidos pelas famílias.

Quem mais esquece

O estudo também traçou o perfil de quem mais deixa de resgatar os benefícios:

  • Homens: representam de 65% a 70% dos casos de esquecimento, contra 30% a 35% das mulheres;

  • Faixa etária: predominância entre 25 e 45 anos, fase marcada por múltiplas responsabilidades e pouca atenção à organização financeira;

  • Vínculo familiar: geralmente sobrinhos, filhos ou netos do falecido, que cuidam de questões imediatas, como o funeral, mas deixam os prazos expirarem.

Causas do esquecimento

O DPVAT é o benefício mais ignorado, especialmente em mortes decorrentes de acidentes de trânsito. “A natureza inesperada dessas perdas e o impacto emocional fazem com que a busca por esses direitos seja adiada. A pessoa até sabe que tem direito, mas deixa para depois e, no fim, esquece”, afirma Carolina Aparício.

Já no caso de auxílios trabalhistas, a diretora explica que, se houver consenso entre os herdeiros, não é necessário esperar o inventário para o saque. Em muitas situações, um simples alvará judicial já permite o resgate.

Quanto a contas bancárias, investimentos e consórcios, a criação do Sistema de Valores a Receber (SVR), do Banco Central, tem facilitado a recuperação de recursos. No entanto, o esquecimento do próprio falecido ou a falta de atualização de beneficiários — em casos de casamentos sucessivos, por exemplo — ainda geram perdas significativas.

“Às vezes, a própria pessoa que faleceu não lembrava que tinha determinado benefício. Em outros casos, o beneficiário indicado já não tem vínculo, como quando a pessoa está no quarto casamento, mas o beneficiário registrado ainda é a primeira esposa”, relata a executiva.