Logo

Toffoli usou avião de empresa ligada a empresário investigado, apontam registros

Dados da Anac e do Decea indicam uso de aeronaves privadas; ministro não comentou

Por: Redação

02/04/202609:10Atualizado

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, utilizou em 4 de julho de 2025 uma aeronave da empresa Prime Aviation, que tinha como sócio o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A informação consta em documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) obtidos pela Folha.

Dados da Anac e do Decea indicam uso de aeronaves privadas; ministro não comentou
Foto: Andressa Anholete/STF

De acordo com os registros, Toffoli entrou no terminal executivo do aeroporto de Brasília às 10h. Dez minutos depois, um avião da Prime Aviation, prefixo PR-SAD, decolou com destino a Marília (SP), cidade natal do ministro.

Na mesma data, seguranças do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo foram deslocados para Ribeirão Claro (PR), município onde fica o resort Tayayá, frequentado por Toffoli e localizado a cerca de 150 quilômetros de Marília. Segundo o tribunal, o envio ocorreu a pedido do STF para atender uma autoridade.

A Folha revelou, em janeiro, que empresas ligadas à família de Toffoli foram sócias de uma rede fraudulenta de fundos de investimento do Banco Master. O caso levou à saída do ministro da relatoria da investigação no STF, em fevereiro.

Toffoli também já foi sócio no resort Tayayá ao lado de Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro. Ambos participaram do empreendimento por meio de empresas e fundos de investimento.

O mesmo avião PR-SAD também foi utilizado, segundo a Folha, em voos que transportaram o ministro Alexandre de Moraes para São Paulo em três ocasiões.

Registros da Anac apontam que Toffoli acessou ao menos dez vezes, em 2025, o terminal executivo do aeroporto de Brasília, utilizado principalmente por aeronaves privadas. Em seis dessas ocasiões, foi possível identificar o avião utilizado a partir do cruzamento com dados do Decea em cinco casos, as aeronaves pertenciam a empresários.

A Prime Aviation afirmou, em nota, que não divulga informações sobre usuários de suas aeronaves por questões contratuais e em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Outros voos também chamam atenção. Em 17 de junho, Toffoli entrou no terminal às 10h, pouco antes da decolagem de um avião da Petras Participações com destino a Ourinhos (SP), aeroporto próximo ao resort Tayayá. Já em 1º de outubro, o ministro chegou ao terminal às 19h20, minutos antes da partida de outra aeronave da mesma empresa para São Paulo.

Há ainda registro de um voo realizado em 10 de abril de 2025 em aeronave do empresário Luiz Pastore. Na ocasião, o avião decolou às 19h13 para Congonhas, após a entrada do ministro no terminal.

Toffoli e Pastore são amigos. Em novembro do ano anterior, o ministro viajou com o empresário para Lima, no Peru, para assistir à final da Copa Libertadores. No voo também estava o advogado Augusto de Arruda Botelho, defensor de um dos executivos do Banco Master.

Procurados, Toffoli e os empresários citados não responderam ou não quiseram se manifestar.

O levantamento da Folha indica que o uso de jatinhos privados não é exclusivo de Toffoli. O ministro Alexandre de Moraes também teria utilizado aeronaves ligadas a empresas de Vorcaro. Registros mostram que Moraes e sua esposa foram ao terminal executivo de Brasília em ao menos sete ocasiões próximas a voos dessas aeronaves.