TCU aponta falhas do BRB em tentativa de compra do Banco Master
Auditoria indica gestão temerária e sugere apuração pelo MP do DF
Por: Redação
27/03/2026 • 10:09 • Atualizado
Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou indícios de irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação que não chegou a ser concretizada em 2025. O relatório técnico aponta possíveis falhas de gestão e levanta a hipótese de atos de improbidade administrativa por parte de dirigentes da instituição financeira e do Governo do Distrito Federal.
Segundo a área especializada da Corte, há sinais de que a condução do negócio ocorreu sem a devida cautela, mesmo diante de alertas sobre inconsistências financeiras e suspeitas envolvendo o banco alvo da negociação. A análise foi incorporada ao processo que trata da liquidação da instituição, determinada pelo Banco Central do Brasil.
De acordo com o documento, a cúpula do BRB teria insistido na operação apesar de questionamentos técnicos do órgão regulador. A diretoria colegiada do Banco Central rejeitou a compra em setembro do ano passado, alegando ausência de comprovação da viabilidade econômico-financeira do negócio.
As investigações indicam divergências relevantes nas informações apresentadas sobre o patrimônio do Banco Master. Em um primeiro momento, foram informados cerca de R$ 25 bilhões em ativos, valor que posteriormente teria sido elevado para mais de R$ 31 bilhões nas projeções utilizadas para sustentar a negociação.
A apuração do TCU teve como foco avaliar a atuação do Banco Central diante do agravamento da situação financeira do Banco Master, que culminou na liquidação da instituição. O banco era controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes de grande escala.
Os auditores analisaram documentos internos, decisões administrativas e a sequência de medidas adotadas pelo regulador. A conclusão foi de que o Banco Central atuou dentro dos parâmetros legais e técnicos ao intervir no banco.
O relatório também destaca a atuação do Governo do Distrito Federal, que teria recorrido ao TCU em mais de uma ocasião na tentativa de viabilizar a compra. Para os auditores, houve uso inadequado da Corte como forma de contestar uma decisão técnica do regulador.
Na avaliação do órgão, a insistência na operação, mesmo diante de indícios de insolvência e possíveis passivos ocultos, poderia gerar prejuízos bilionários aos cofres públicos.
Encaminhamentos
Diante dos achados, a equipe técnica recomendou o envio do caso ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e ao Tribunal de Contas do DF para aprofundamento das investigações e eventual responsabilização.
O processo está sob relatoria do ministro Jhonathan de Jesus, que determinou a suspensão da análise sobre a atuação do Banco Central até o avanço das apurações conduzidas por diferentes órgãos, incluindo o Supremo Tribunal Federal e a Controladoria-Geral da União.
As conclusões da auditoria foram tornadas públicas recentemente no âmbito da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal.
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