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Governo atualiza "lista suja" do trabalho escravo e inclui empresa e cantor

Cadastro passa a ter mais de 600 nomes após nova atualização com casos em diversos estados

Por: Redação

07/04/202611:27Atualizado

O governo federal divulgou, na segunda-feira (6), uma nova atualização do cadastro de empregadores flagrados explorando trabalho em condições análogas à escravidão, conhecido como “lista suja”. Ao todo, 169 novos nomes foram incluídos, elevando o total para mais de 600 registros em todo o país.

Foto Governo atualiza "lista suja" do trabalho escravo e inclui empresa e cantor
Foto: Wellyngton Souza/Sesp-MT

Entre os incluídos nesta atualização estão a montadora BYD e o cantor Amado Batista. Os casos considerados ocorreram entre 2020 e 2025, em diferentes estados brasileiros.

Segundo os dados divulgados, a maior parte dos novos registros corresponde a pessoas físicas, enquanto o restante envolve empresas. A atualização também retirou mais de 200 nomes que já haviam cumprido o período previsto de permanência no cadastro.

A lista reúne empregadores após a conclusão de processos administrativos que confirmam a ocorrência de irregularidades, sem possibilidade de recurso. Em geral, os nomes permanecem no cadastro por até dois anos.

No caso da BYD, a inclusão está relacionada a uma ação ocorrida em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, onde trabalhadores estrangeiros foram encontrados em condições consideradas inadequadas pelas autoridades. À época, a empresa informou que as irregularidades estariam ligadas a uma prestadora de serviços contratada para a obra.

Já o nome de Amado Batista aparece em registros vinculados a propriedades rurais em Goiás. Em manifestação, a assessoria do artista contestou as informações e afirmou que não houve resgate de trabalhadores, destacando que eventuais irregularidades identificadas teriam sido corrigidas.

A lista inclui ocorrências em 22 unidades da federação, com maior concentração em estados como Minas Gerais, São Paulo e Bahia.

Criado em 2004, o cadastro é uma das principais ferramentas de combate ao trabalho análogo à escravidão no Brasil e reúne empregadores após comprovação das irregularidades por meio de fiscalização e processos administrativos.

As ações de combate a esse tipo de crime são realizadas por auditores fiscais do trabalho, com apoio de órgãos como a Polícia Federal e o Ministério Público do Trabalho. Desde a criação das equipes de fiscalização, milhares de trabalhadores já foram resgatados em todo o país.

Denúncias podem ser feitas por meio de canais oficiais do governo, inclusive de forma anônima.