Logo

Furto de vírus em laboratório da Unicamp mobiliza PF

Amostras de alta biossegurança foram levadas; suspeitos são investigados

Por: Redação

30/03/202611:21

O furto de amostras de vírus de um laboratório da Universidade Estadual de Campinas, no interior de São Paulo, está sendo investigado pela Polícia Federal. Ao menos 24 tipos de vírus foram retirados de um espaço classificado como NB-3, que possui alto nível de biossegurança.

Foto Furto de vírus em laboratório da Unicamp mobiliza PF
Foto: Reprodução/TV Globo

Entre os materiais levados estão agentes como dengue, chikungunya, zika, herpes, Epstein-Barr e coronavírus humano, além de outros vírus menos conhecidos e amostras que afetam animais.

De acordo com as investigações, os principais suspeitos são a professora Soledad Palameta Miller e o veterinário e doutorando Michael Edward Miller. O desaparecimento das amostras foi percebido em fevereiro, após uma pesquisadora notar a falta de caixas no laboratório.

Imagens de câmeras de segurança indicam que o casal acessava o local desde novembro, inclusive em horários fora da rotina. Em um dos episódios, o suspeito teria sido visto transportando objetos do laboratório.

O caso foi comunicado à reitoria da universidade em março e, posteriormente, encaminhado à Agência Nacional de Vigilância Sanitária e à Polícia Federal, devido ao risco sanitário. Durante buscas realizadas no dia 21 de março, parte do material foi encontrada em um equipamento da Faculdade de Engenharia de Alimentos.

Ainda segundo a apuração, após a operação, a professora teria descartado amostras e alterado identificações de materiais em outro laboratório. Ela chegou a ser presa, mas foi liberada provisoriamente e deve responder por crimes como transporte irregular de material biológico, fraude processual e risco à saúde pública.

A direção do Instituto de Biologia informou que não há risco amplo de contaminação, desde que os vírus estejam armazenados de forma adequada. Em nota, a universidade classificou o episódio como isolado e afirmou que não há, até o momento, informações sobre a motivação do crime.