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Bets duplicam receita e já arrecadam o mesmo que tabaco e agricultura

Copa do Mundo deve impulsionar ainda mais as apostas

Por: Redação

07/06/202615:20

Apesar das restrições impostas pela Justiça e pelo governo federal a palpites de endividados e beneficiários de programas sociais, o faturamento das empresas licenciadas de apostas online dobrou no primeiro quadrimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025.

Apostas esportivas online
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Os dados da Receita Federal confirmam que o setor de bets e cassinos virtuais mantém uma trajetória de crescimento em arrecadação, faturamento, volume de usuários e número de operadoras regulamentadas desde que passou a atuar na legalidade, em janeiro de 2025.

Esse avanço econômico ocorre em paralelo a debates públicos intensos sobre a dependência psicológica dos apostadores, o superendividamento da população e o combate às plataformas que operam clandestinamente.

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Efeito nas contas públicas

O salto financeiro das bets já reflete diretamente nos cofres públicos. Isto porque, de acordo com a “Folha de S. Paulo”, os tributos recolhidos sobre a atividade passaram de R$ 2,2 bilhões nos primeiros quatro meses do ano passado para R$ 4,5 bilhões no mesmo intervalo de 2026. 

Com essa evolução, o montante arrecadado no quadrimestre já se aproxima do desempenho fiscal de setores tradicionais da economia, como a indústria do tabaco e a agricultura, que injetam individualmente cerca de R$ 1 bilhão por mês em impostos.

Considerando que a carga tributária incidente sobre o segmento representa 37% de seu rendimento, estima-se que as bets alcançaram uma receita de R$ 12,2 bilhões entre janeiro e abril de 2026. Em todo o ano de 2025, o faturamento global da indústria havia fechado em R$ 36,9 bilhões. 

Projeção

A projeção para os próximos meses é de uma expansão ainda mais robusta, uma vez que o desempenho do mercado acompanha sazonalidades esportivas e costuma registrar picos de atividade no segundo semestre, impulsionado pelas retas finais dos campeonatos de futebol.

A Copa do Mundo surge como o principal fator de aceleração para o restante do ano, segundo o jornal. De acordo com projeções da consultoria H2 Gambling Capital, o evento global deve injetar um incremento entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões no volume total de depósitos realizados exclusivamente para palpites esportivos.

A sustentabilidade financeira dessa indústria no longo prazo baseia-se em modelos estatísticos rígidos que determinam as probabilidades e as premiações. O mecanismo é projetado para assegurar que, no cálculo médio de milhares de rodadas, o volume financeiro retido com os palpites incorretos seja sempre superior aos valores distribuídos aos vencedores.