Mercado reduz previsão da inflação, mas vê Selic em alta até o fim de 2025
Estimativas do mercado foram divulgadas no novo Boletim Focus do Banco Central
Por: Iago Bacelar
21/07/2025 • 11:32
A estimativa do mercado financeiro para a inflação oficial no Brasil foi reduzida pela oitava vez consecutiva, segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (21) pelo Banco Central. A previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,17% para 5,10% em 2025, mas ainda segue acima do teto da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Apesar da desaceleração recente, o índice acumulado em 12 meses chegou a 5,35% em junho, conforme o IBGE, ultrapassando pelo sexto mês seguido o teto da meta de 4,5%. A inflação foi pressionada pela energia elétrica, mas registrou a primeira queda no preço dos alimentos após nove meses de alta.
Inflação segue acima da meta e obriga carta do BC ao governo
De acordo com o novo regime de metas adotado em 2024, quando o índice ultrapassa o teto por seis meses consecutivos, o presidente do Banco Central precisa encaminhar uma carta pública ao ministro da Fazenda explicando as causas da alta, as providências adotadas para reverter o cenário e o prazo esperado para retorno aos limites estabelecidos.
As expectativas para os próximos anos também foram revistas. Para 2026, a projeção da inflação caiu de 4,5% para 4,45%. Já para 2027 e 2028, o mercado projeta 4% e 3,8%, respectivamente.
Selic deve continuar em 15% até o fim de 2025
Apesar da queda da inflação nos últimos meses, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou por elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual no mês passado, fixando-a em 15% ao ano. Foi a sétima alta seguida dentro do atual ciclo de aperto monetário. A decisão surpreendeu parte dos analistas, que não esperavam novo aumento.
Em ata, o Copom indicou que deve manter os juros no patamar atual nas próximas reuniões, mas não descartou novas altas caso a inflação volte a subir. A projeção do mercado é que a Selic se mantenha em 15% ao ano até o fim de 2025.
"Mesmo com a desaceleração, as incertezas sobre a economia ainda são relevantes", aponta a ata divulgada após a reunião.
Previsão é de queda gradual dos juros a partir de 2026
As projeções indicam que a Selic deve começar a cair apenas em 2026, quando a taxa básica deve chegar a 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, o mercado espera novas reduções, para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente.
O Banco Central utiliza a Selic como principal instrumento para controlar a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança, ajudando a conter a demanda aquecida. No entanto, taxas elevadas também dificultam o crescimento econômico.
Além da Selic, os bancos consideram inadimplência, despesas e margem de lucro para definir os juros cobrados dos consumidores. Por isso, a taxa final ao consumidor pode continuar alta mesmo com eventuais quedas da Selic.
PIB mantém projeção de crescimento moderado
O mercado manteve a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2,23% para 2025, segundo o mesmo boletim. A expectativa para 2026 foi reduzida de 1,89% para 1,88%. Para 2027 e 2028, o mercado projeta expansão de 2% ao ano.
Os dados mais recentes do IBGE mostram que o PIB cresceu 1,4% no primeiro trimestre de 2025, puxado principalmente pela agropecuária. Em 2024, a economia brasileira havia registrado alta de 3,4%, marcando o quarto ano consecutivo de crescimento.
Dólar deve continuar acima de R$ 5,60
A cotação do dólar também foi revista. A expectativa é que a moeda norte-americana termine 2025 em R$ 5,65. Para o fim de 2026, a projeção é de leve aumento, para R$ 5,70.
Os dados completos da pesquisa semanal do Boletim Focus estão disponíveis no site do Banco Central do Brasil (www.bcb.gov.br).
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