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Empresas brasileiras ainda não exploram o potencial da inteligência artificial

Estudo mostra que metade das organizações brasileiras não utiliza IA de forma estruturada

Por: Lorena Bomfim

21/06/202513:23

Gerar imagens para redes sociais ou conversar com ferramentas como o ChatGPT pode até parecer um uso avançado de inteligência artificial (IA), mas representa apenas uma fração do verdadeiro potencial dessa tecnologia. Em escala global, empresas têm transformado suas rotinas e modelos de gestão com o uso estratégico da IA, presente desde o recrutamento de talentos até o relacionamento com o cliente.

Imagem IA
Foto: Crédito: Divulgação

No entanto, no Brasil, a realidade corporativa ainda é distante desse cenário. É o que revela o estudo “Panorama IA nas empresas brasileiras”, encomendado pela Totvs e realizado pela consultoria H2R Insights & Trends. Apresentado durante o evento Universo Totvs 2025, em São Paulo, o levantamento mostra que 50% das empresas do país ainda não utilizam IA de forma estruturada, e apenas 7% conseguem mensurar o retorno sobre o investimento (ROI).

A pesquisa ouviu 194 empresas de diversos setores e portes entre abril e maio de 2025, com foco em profissionais da área de tecnologia. Entre as companhias que já adotam a IA, 71% ainda se encontram em estágios iniciais de implementação, o que evidencia o longo caminho a ser percorrido até que a tecnologia se consolide como um verdadeiro motor de transformação no país.

Embora o estudo não detalhe a realidade da Bahia, ele aponta que 18% das empresas ouvidas são da região Nordeste. A pesquisa também reforça uma tendência observada no dia a dia: assim como os usuários comuns, as empresas brasileiras que utilizam IA, em sua maioria, restringem-se a tarefas simples, como geração de textos e imagens em plataformas como ChatGPT e Canva.

“O uso de IA hoje é majoritariamente voltado para tarefas de apoio, como criação de conteúdo e atendimento via chatbot, o que revela uma visão ainda limitada do potencial estratégico da tecnologia”, avalia Cristiano Nobrega, diretor da Totvs. Segundo o levantamento, 40% das empresas utilizam plataformas de IA conversacional, enquanto 33% fazem uso de soluções integradas a sistemas, muitas vezes sem sequer perceber.

Mesmo entre as empresas que já iniciaram sua jornada com IA, apenas 20% enxergam a tecnologia como altamente estratégica para os negócios. Para os pesquisadores, a baixa percepção de valor está diretamente ligada à ausência de métricas claras. “Se as organizações não calculam o impacto da IA, perdem inúmeras oportunidades de otimizar operações e justificar novos investimentos”, destaca Nobrega.

As principais barreiras para a adoção da tecnologia incluem preocupações com segurança (36%), escassez de profissionais qualificados (35%) e dificuldade de mensurar o ROI (32%). O estudo também aponta para o potencial dos chamados Agentes de IA — sistemas autônomos ou semi-autônomos capazes de executar tarefas e tomar decisões com base no contexto do negócio. Para a Totvs, esses agentes serão a próxima grande onda, com potencial para ampliar drasticamente a produtividade.

“Os agentes de IA vão expandir a capacidade humana como nunca antes, mas é preciso infraestrutura moderna e dados organizados para gerar valor real”, acrescenta o executivo.

Apesar dos entraves, há sinais de mudança. Entre as empresas que ainda não utilizam IA, 72% afirmam ter familiaridade média ou alta com o conceito, o que indica um aumento da consciência sobre sua importância. Para Fábio Fantini, diretor executivo da Totvs Leste, unidade da Bahia, a pesquisa marca apenas o começo de uma transformação inevitável.

“Este levantamento é histórico, pois mostra o início de tudo. É natural que o processo seja gradual. O importante é que não há mais como ignorar essa tecnologia que está mudando o mundo. Tenho certeza de que, em dois anos, esses números serão muito mais expressivos”, afirma.

O cenário brasileiro mostra um campo fértil para a inovação, desde que haja preparo técnico, estratégico e cultural para a transformação digital. Entre os desafios adicionais estão a resistência das equipes às mudanças, a falta de apoio da liderança e as dificuldades de integração com sistemas antigos.