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Em meio a tensões com os EUA, Brasil avalia criar seu próprio GPS

Especialistas vão avaliar a viabilidade do projeto

Por: Gabriel Pina

25/07/202506:00

Um grupo técnico formado por representantes de ministérios, da Aeronáutica, da Agência Espacial Brasileira (AEB) e de outras instituições avaliam a possibilidade de o Brasil desenvolver seu próprio sistema de geolocalização por satélite (GPS). Segundo especialistas, o objetivo é analisar os riscos e benefícios de o país depender de sistemas controlados por outras nações, como o GPS norte-americano.  

Celular com GPS aberto
Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Entre os pontos a serem estudados estão os custos envolvidos, a viabilidade tecnológica e a necessidade de um sistema global ou regional que cubra todo o território nacional. Rodrigo Leonardi, diretor da AEB, destacou que, caso o país decida avançar com o projeto, os investimentos necessários serão significativamente maiores do que os atuais recursos destinados ao programa espacial brasileiro.  

No Brasil, historicamente, priorizamos o debate acerca de outros aspectos espaciais, como a necessidade de termos satélites para monitoramento territorial. Agora, vamos discutir se queremos ou não ter nosso próprio sistema de navegação; o investimento necessário para fazê-lo e, se for o caso, a necessidade nacional de ter um sistema global ou um sistema regional capaz de cobrir todo nosso território. Qualquer que seja o caso, se o país concluir que deve fazer isso, o patamar de investimentos terá que ser muitas vezes maior que o atualmente investido no programa espacial brasileiro”, declarou Leonardi.

Atualmente, o Brasil utiliza principalmente o GPS, operado pelos Estados Unidos, mas existem alternativas, como o russo Glonass, o europeu Galileo e o chinês BeiDou. Leonardi ressaltou que, embora teoricamente os EUA possam restringir ou degradar o sinal do GPS em determinadas regiões, essa seria uma medida extrema e improvável.

“Não houve nenhum comunicado, de nenhuma autoridade norte-americana, sobre a remota possibilidade dos EUA restringirem o uso do GPS no Brasil. Depois porque, mesmo que isso acontecesse – o que seria uma situação muito drástica e improvável, há alternativas ao GPS”, completou o diretor da AEB

Se implementado, um sistema brasileiro de navegação por satélite poderia trazer benefícios não apenas para a defesa, mas também para setores como agricultura, transporte e monitoramento territorial. No entanto, a decisão final dependerá de uma avaliação detalhada dos custos, prazos e impactos estratégicos envolvidos.

O grupo terá 180 dias, contados desde o dia 14 de julho, para apresentar um relatório com conclusões e recomendações.