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Anvisa aprova novo medicamento para Parkinson avançado

Terapia contínua promete reduzir oscilações motoras em pacientes

Por: Redação

25/05/202612:14Atualizado

Anvisa aprovou um novo medicamento voltado para pacientes com Parkinson avançado no Brasil. A autorização foi publicada nesta segunda-feira (25) no Diário Oficial da União.

Sede da Anvisa
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O tratamento combina as substâncias foscarbidopa e foslevodopa, derivadas da tradicional levodopa, considerada o principal medicamento usado no controle dos sintomas motores da doença.

O produto será comercializado pela farmacêutica AbbVie com o nome de Vyalev e chega ao mercado como uma alternativa para pacientes que já não respondem adequadamente aos comprimidos convencionais.

Segundo a empresa, esta é a primeira terapia aprovada no país baseada em infusão subcutânea contínua de levodopa durante 24 horas, estratégia que busca manter níveis mais estáveis da medicação no organismo.

Tratamento tenta reduzir períodos “off”

Com a evolução do Parkinson, muitos pacientes passam a alternar momentos de melhora dos sintomas, conhecidos como períodos “on”, com fases em que os efeitos do remédio diminuem drasticamente.

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Nessas situações, tremores, rigidez muscular e dificuldades motoras reaparecem de forma intensa, afetando diretamente a qualidade de vida.

A nova terapia foi indicada justamente para pacientes que convivem com essas oscilações motoras frequentes nas fases mais avançadas da doença.

De acordo com a AbbVie, o medicamento também pode beneficiar pessoas que não podem ou não desejam realizar a chamada estimulação cerebral profunda, cirurgia usada em casos mais graves.

Alternativa para quem não pode fazer cirurgia

A farmacêutica afirma que até 60% dos pacientes possuem contraindicações para o procedimento cirúrgico por conta de condições como demência, alterações severas de marcha ou instabilidade postural.

Além disso, cerca de 45% recusariam a cirurgia por considerá-la invasiva.

“Na fase avançada da doença, a infusão contínua se apresenta como uma alternativa essencial para pacientes que já não respondem às terapias orais”, afirmou o médico Rubens Cury, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

O especialista também destacou que o tratamento pode ampliar o controle dos sintomas motores ao longo do dia.

Estudo apontou melhora já na primeira semana

A aprovação da Anvisa teve como base um estudo de fase 3 realizado com aproximadamente 130 pacientes com Parkinson avançado, acompanhados durante 12 semanas.

Segundo os dados apresentados pela empresa, os pacientes que receberam a infusão contínua tiveram redução significativa dos chamados períodos “off”.

Os pesquisadores também observaram aumento no tempo em que os pacientes permaneceram sem sintomas motores incapacitantes.

Em média, quem utilizou a nova terapia ganhou 2,72 horas adicionais de tempo “on” sem discinesia problemática, contra 0,97 hora observada no grupo tratado com levodopa oral tradicional.

Efeitos adversos e número de casos no Brasil

Entre os efeitos adversos mais relatados durante os testes clínicos estiveram reações no local da infusão, movimentos involuntários e episódios de alucinação.

Segundo a farmacêutica, a maioria dos casos foi considerada leve ou moderada.

A doença de Parkinson é atualmente a segunda condição neurodegenerativa mais comum do mundo.

No Brasil, estima-se que cerca de 220 mil pessoas convivam com a doença, de acordo com dados do Ministério da Saúde.