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Rio Vermelho antecipa festa de Iemanjá e vira prévia do Carnaval em Salvador

Lavagens, samba e cortejos profanos movimentam o bairro até o dia 3 de fevereiro

Por: Redação

30/01/202609:13

Antes mesmo do 2 de fevereiro, data oficial dedicada a Iemanjá, o Rio Vermelho já vive dias intensos de festa, música e ocupação cultural. A antecipação das homenagens à Rainha do Mar transformou o bairro em um dos principais polos do calendário festivo de Salvador, com uma programação que mistura o sagrado, o profano e a cara boêmia da região, a partir desta sexta-feira (30), com atividades previstas até a madrugada do dia 3.

Foto Rio Vermelho antecipa festa de Iemanjá e vira prévia do Carnaval em Salvador
Foto: Divulgação

O principal destaque da agenda é a Lavagem da Odoyá, ritual que celebra a limpeza simbólica da escultura criada pelo artista plástico Ray Vianna, em 2008. A obra marca o ano em que a festa de Iemanjá coincidiu com um sábado de Carnaval, reforçando o elo entre fé, arte e rua.

“A barbatana representa Iemanjá e aquele momento em que o Rio Vermelho virou também circuito de Carnaval. Como o salitre desgasta o aço, resolvi transformar a lavagem em um ato coletivo”, explica Vianna.

Com 4,5 metros de altura e nove metros de comprimento, a escultura de aço inox passou a ser lavada com água, sabão e bucha em uma ação aberta ao público.

O que começou de forma intimista, com o artista e amigos, ganhou corpo ao longo dos anos. Em 2018, a lavagem se consolidou como evento popular, só interrompido durante a pandemia. Em 2026, a celebração ganha um tom especial ao homenagear Augusto Conceição, fundador do Samba do Vai Kem Ké, morto no ano passado.

“O samba será conduzido por Nonato Santos, com apoio do carro de som Nanotrix, percussão artística, timbales e surdos, interpretando músicas de Augusto”, adianta Ray.

No sábado (31), o clima muda e se aproxima ainda mais do Carnaval. Os Palhaços do Rio Vermelho, já incorporados oficialmente ao calendário cultural da cidade, comandam um desfile marcado por estética retrô, fanfarras e percussão. A concentração acontece na Rua da Paciência, a partir das 17h, com encerramento na Rua Fonte do Boi.

A abertura será com um Ato Simbólico na Ala das Artes, em homenagem a Riachão. Nesta edição, Nelson Rufino e Juliana Ribeiro participam como padrinhos da festa, que reforça o caráter popular e irreverente do bairro.

No dia 1º de fevereiro, a programação volta a assumir um tom mais religioso, com as primeiras homenagens a Iemanjá ainda na noite anterior ao dia oficial. Para muitos frequentadores, antecipar a ida ao bairro é uma estratégia para fugir do caos do dia 2.

“Ainda tem muita gente, mas o clima é mais leve. Dá pra curtir a cultura popular de Salvador com mais tranquilidade”, afirma a comunicadora Yasmim Souza, que participa da batucada de Iemanjá promovida pela Oficina de Sons, durante a Alvorada.

Segundo o presidente da Saltur, Isaac Edington, a antecipação das festas reflete a dimensão que a celebração ganhou.

“A Festa de Iemanjá deixou de ser restrita ao dia 2. O bairro se transforma em um grande polo de cultura, fé, turismo e economia criativa, movimentando Salvador por vários dias”, destaca.

Transporte e trânsito

Para quem pretende ir ao Rio Vermelho no dia 1º, a Secretaria de Mobilidade (Semob) montou um esquema especial. As linhas de ônibus que atendem a região terão frota ampliada e horários estendidos, com operação até a madrugada.

O BRT Salvador também contará com reforço na linha B2, que liga a Estação Rodoviária ao Rio Vermelho, na altura da Praça Mestre Bimba, funcionando excepcionalmente até as 23h30 nos dois sentidos.