O que se sabe sobre a turista acusada de racismo contra comerciante
Caso ocorreu durante evento cultural em Salvador e é apurado como crime de racismo
Por: Redação
23/01/2026 • 08:39 • Atualizado
Uma turista natural do Rio Grande do Sul foi presa em Salvador após ser acusada de cometer ofensas racistas e cuspir em uma comerciante durante um evento cultural no Pelourinho. O episódio aconteceu na última quarta-feira (21) e reacendeu o debate sobre o combate ao racismo e a atuação das autoridades em casos de discriminação racial.
O caso ocorreu na Praça das Artes Mestre Neguinho do Samba, durante uma atividade gratuita. Testemunhas afirmam que a turista, identificada como Gisele Madrid Spencer Cesar, de 50 anos, dirigiu xingamentos de cunho racial contra a comerciante Hanna, que trabalhava no local.
Segundo o relato da vítima, além de ser chamada de “lixo”, ela foi cuspida no rosto. “Ela me olhou nos olhos e disse: ‘eu sou branca’”, contou Hanna em entrevista à TV Bahia.
Falha na segurança e críticas à condução policial
Hanna relatou ainda que a suspeita já havia causado confusão com outras pessoas no evento. A comerciante afirmou que só conseguiu registrar a ocorrência com o apoio da chefe, já que a equipe de segurança não teria agido de imediato.
Ela também criticou a postura adotada durante a condução à delegacia. “O policial queria que fôssemos na mesma viatura. Eu disse que não iria, porque, se fosse o contrário, eu estaria algemada”, afirmou.
Prisão e comportamento na delegacia
A prisão foi efetuada pela Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (Decrin). De acordo com a Polícia Civil, mesmo após ser levada à unidade, a turista manteve conduta discriminatória, chegando a exigir atendimento exclusivo por um delegado branco.
Gisele permanece detida e aguarda audiência de custódia, marcada para esta sexta-feira (23), quando a Justiça decidirá sobre a manutenção da prisão.
O que diz a lei sobre injúria racial
Desde 2023, o crime de injúria racial passou a ser equiparado ao crime de racismo, tornando-se inafiançável e imprescritível. A pena prevista varia de dois a cinco anos de prisão, além de multa.
O caso segue sob investigação e reforça o alerta sobre a importância da denúncia e responsabilização em episódios de racismo em espaços públicos, especialmente em áreas históricas e culturais como o Pelourinho, símbolo da identidade e da resistência negra em Salvador.
