Advogado da Bamor critica ação policial após detenções
Defesa fala em abusos; PM aponta tumulto e apreensões antes de jogo
Por: Domynique Fonseca
27/04/2026 • 13:09 • Atualizado
A condução de 77 integrantes da torcida organizada Bamor Nova Era à delegacia, no último sábado (25), em Salvador, foi tema de entrevista no programa Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM, apresentado por Luis Ganem. Durante a edição desta segunda-feira (27), o advogado Otto Lopes, representante jurídico do grupo, criticou a atuação policial e afirmou que há recorrência de ações consideradas irregulares contra torcedores.
“Parece que prender torcedores e fazer operações contra a Bamor virou algo que dá repercussão. Mas as ações precisam estar pautadas na legalidade”, afirmou o advogado.
Segundo ele, imagens de câmeras de segurança da sede da torcida indicariam abordagens com uso de força desproporcional.
“A polícia invade um espaço privado, sem flagrante, e age com spray de pimenta. Há registros disso acontecendo com frequência”, declarou.
De acordo com a Polícia Militar da Bahia, equipes da 39ª CIPM, da Rondesp Atlântico e do Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) foram acionadas após denúncias de tumulto, vandalismo e perturbação do sossego no bairro Boca do Rio, onde ocorreu a ação. A corporação informou que houve tentativa de fuga e que 77 pessoas foram abordadas, incluindo 33 menores de idade.
Reprodução/ Instagram @torcidabamornovaera
Durante a operação, os policiais apreenderam itens como bombas caseiras, facas, porretes, um taco de beisebol, além de máscaras e outros objetos. O material e os envolvidos foram encaminhados à Polícia Civil da Bahia.
A defesa, no entanto, contesta a condução da ocorrência. Segundo Otto Lopes, a maioria dos detidos foi liberada ainda na delegacia.
“Do total, apenas dois ficaram custodiados inicialmente, mas já tiveram a liberdade concedida. Isso mostra que não havia justificativa para manter essas prisões”, disse.
Divulgação/ 2ª CIPM
O advogado também afirmou que a atuação policial tem sido direcionada de forma recorrente à torcida.
“Parece que só existe uma torcida organizada em Salvador. As ações são sempre voltadas para a Bamor, enquanto outras situações semelhantes não recebem o mesmo tratamento”, declarou.
Outro ponto destacado foi o uso da força em momentos, segundo ele, sem necessidade. “Se alguém comete crime, que seja preso e levado à delegacia, como determina a lei. O que não pode é agir com violência contra quem não praticou nada. Há relatos de spray de pimenta sendo utilizado até com crianças presentes”, afirmou.
Em nota, a Bamor Nova Era também criticou a atuação policial e pediu a apuração dos episódios pela Corregedoria da Polícia Militar e por outros órgãos competentes. O grupo afirma que sua sede funciona regularmente e defende que as ações de segurança respeitem os limites legais.
As circunstâncias da ocorrência seguem sob análise das autoridades.
