CPMI do INSS rejeita parecer do relator e indiciamento de Lulinha
Votação foi concluída apenas na madrugada de sábado (28/03
Por: Redação
28/03/2026 • 10:30 • Atualizado
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS rejeitou, por 19 votos a 12, o relatório final apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL). A votação foi concluída apenas na madrugada de sábado (28/03), último dia de funcionamento do colegiado. Diante do resultado, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), encerrou os trabalhos sem submeter à votação o relatório paralelo elaborado pela base governista. A CPMI atuou ao longo de sete meses.
Com mais de 4 mil páginas, o parecer de Gaspar apontou a existência de diferentes núcleos — técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político — envolvidos em um esquema de movimentação bilionária por meio de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo o relatório, fraudes relacionadas a associações e empréstimos consignados teriam se desenvolvido dentro da estrutura do INSS, com participação direta ou omissão de agentes responsáveis pela fiscalização.
O documento pede o indiciamento de 216 pessoas, entre elas ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, ex-ministros, parlamentares e representantes de entidades. Entre os nomes citados está o de Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, por suposta ligação com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Também aparecem na lista o empresário Daniel Vorcaro, os ex-ministros José Carlos Oliveira e Carlos Lupi, além do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e da deputada Gorete Pereira (MDB-CE).
Por outro lado, o relatório paralelo apresentado pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS) sugeriu o indiciamento de 130 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, apontado como líder de uma organização criminosa. O deputado Rogério Correia (PT-MG) afirmou que as irregularidades só vieram à tona a partir de investigações conduzidas no atual governo.
As discussões na comissão foram marcadas por embates entre parlamentares da base e da oposição, com troca de acusações, críticas sobre a condução das investigações e questionamentos à atuação do Supremo Tribunal Federal. Também houve controvérsias em relação a decisões judiciais envolvendo depoentes e à não prorrogação dos trabalhos da CPMI.
Mesmo com a rejeição do relatório, o senador Carlos Viana afirmou que o material será encaminhado aos órgãos competentes e destacou que as investigações continuam em outras esferas. A CPMI foi instalada em 20 de agosto do ano passado e teve suas atividades encerradas em 28 de março, sem que o pedido de prorrogação fosse aceito pelo Congresso ou pelo STF.
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