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Bolsonaro enfrenta disputa política enquanto está em prisão domiciliar

Mello Araújo relata desânimo de Bolsonaro e disputa pelo espólio político

Por: Iago Bacelar

27/08/202518:00

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu a visita do vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Augusto de Mello Araújo (PL), na tarde desta terça-feira (26). A reunião durou quatro horas e ocorreu sem a presença de terceiros, segundo informações da Folha de S.Paulo.

Bolsonaro enfrenta disputa política enquanto está em prisão domiciliar
Foto: Reprodução/CNN Brasil

Bolsonaro desanimado e com perda de peso

O coronel relatou que encontrou Bolsonaro triste e "indignado com tudo o que estão fazendo com ele". A conversa oscilou entre lembranças do passado e lágrimas por injustiças do presente. Mello Araújo informou que o ex-presidente está sem apetite e emagreceu 3 kg desde o início da prisão domiciliar.

"Forcei a barra para ele fazer exercícios físicos, mas ontem não deu", disse o vice-prefeito. Apesar disso, Bolsonaro acompanha os acontecimentos através de familiares, que o mantêm informado. "Os filhos estão indo lá e informando ele, a Michelle também, a família toda", comentou Mello Araújo.

Possível substituto de Bolsonaro na eleição de 2026

Líderes do Centrão tratam a condenação do ex-presidente como fato consumado e têm indicado Tarcísio de Freitas (Republicanos) como nome com mais apoio para substituí-lo na campanha presidencial de 2026. O governador tem se reunido com empresários, banqueiros e dirigentes partidários como candidato à Presidência.

Outros governadores também buscam viabilizar seus nomes, como Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás.

Disputa pelo espólio político de Bolsonaro

"Estão enterrando o Bolsonaro vivo", afirmou Mello Araújo. "É como se um pai estivesse na UTI e os filhos estivessem disputando o espólio antes de ele morrer. E aqui eu não estou falando dos filhos do ex-presidente, não. Estou falando dos filhos políticos dele, dos herdeiros políticos do Bolsonaro".

Questionado se se referia a governadores e outros aliados, o vice confirmou: "É isso". Ele acrescentou: "Só querem o espólio dele, só querem os 30% dos votos dele. Povo sem-vergonha!" Bolsonaro ainda não sinalizou apoio a nenhum nome. "Só depois do julgamento [no Supremo Tribunal Federal] ele vai decidir o que fazer".

Defesa de Bolsonaro e foco no julgamento

Mello Araújo afirmou que o momento exige união dos políticos de direita em defesa de Bolsonaro e na denúncia de perseguição. "Qual é o tema principal nesse momento? É a eleição, que vai ser só em 2026, ou é o julgamento do Bolsonaro, que começa na semana que vem? É óbvio que é o julgamento", disse.

Ele concluiu que "amizade, lealdade, não existe nada disso. Só existe uma disputa pelo poder".