Alexandre Garcia questiona o enfraquecimento das instituições brasileiras
Em artigo publicado na imprensa, jornalista aponta possível intencionalidade na situação
Por: Redação
24/01/2026 • 13:17 • Atualizado
Em seu novo artigo, intitulado “Demolição”, o jornalista Alexandre Garcia questiona a intencionalidade por trás do que classifica como um processo contínuo de enfraquecimento das instituições brasileiras, com foco especial no Supremo Tribunal Federal (STF), no Tribunal de Contas da União (TCU) e no sistema político como um todo.
Garcia inicia o texto relembrando os nove anos da morte do ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no STF, em um acidente aéreo em Paraty. A partir dali, segundo o jornalista, houve uma mudança decisiva no rumo da Corte. Com a saída de Teori, a nomeação de Alexandre de Moraes e a redistribuição da relatoria para Edson Fachin, o que antes representava um marco no combate à impunidade passou, na avaliação do autor, a ser gradualmente desmontado.
Para Alexandre Garcia, o STF deixou de cumprir o papel de guardião da Constituição e passou a legitimar a reabilitação política de personagens antes afastados por condenações. Ele sustenta que decisões tomadas ao longo dos anos corroeram a confiança da população nas instituições e abriram espaço para uma crise institucional profunda, cujos reflexos atingem também o Legislativo e os órgãos de controle.
O jornalista critica duramente o processo de escolha dos ministros do Supremo, questionando a eficácia das sabatinas no Senado para avaliar requisitos constitucionais como “notável saber jurídico” e “reputação ilibada”. Segundo ele, falhas nesse processo permitiram a ascensão de magistrados sem a formação ética necessária, resultando em conflitos de interesse, decisões controversas e relações impróprias com escritórios de advocacia ligados a familiares.
Garcia também cita o caso envolvendo o Banco Master, que, em sua análise, simboliza o efeito dominó do desgaste institucional. Ele aponta a atuação de membros do TCU — inclusive de um ex-parlamentar sem formação técnica na área — como exemplo de desvio de função e perda de credibilidade de órgãos que deveriam zelar pelo interesse público.
No trecho final do artigo, o jornalista levanta uma questão central: seria essa deterioração institucional fruto de erros sucessivos ou resultado de um projeto deliberado? Para ele, há sinais de que o enfraquecimento das instituições pode servir ao objetivo de dominá-las e consolidar práticas arbitrárias, sobretudo a partir do que chama de ativismo político do Judiciário.
Alexandre Garcia conclui afirmando que o abandono dos princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade abriu espaço para o avanço de uma “cleptocracia”, termo que relembra ter sido usado pelo ministro Gilmar Mendes em 2015. Na visão do autor, esse cenário representa um risco grave à democracia e à estabilidade do Estado brasileiro.
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