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Trump exige que Israel recue após violar cessar-fogo com Irã

Trégua foi anunciada por Trump após negociações com Catar e aliados

Por: Iago Bacelar

24/06/202508:36Atualizado

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que tanto Israel quanto o Irã violaram o cessar-fogo que deveria ter entrado em vigor nas primeiras horas do dia. A trégua, anunciada na noite anterior por Trump e mediada pelos Estados Unidos e o Catar, não foi oficialmente reconhecida por Teerã, mas entrou em vigor conforme reportagens locais.

Donald Trump
Foto: Reprodução/Instagram @realdonaldtrump

Apesar do esforço diplomático, explosões foram registradas durante a madrugada em Teerã e em cidades israelenses. O Exército de Israel acusou o Irã de ter lançado novos mísseis, o que foi negado pelo governo iraniano.

Trump pede recuo de Israel e adverte sobre nova ofensiva

Ao embarcar para a cúpula da Otan, em Haia, Trump criticou o comportamento dos dois países e exigiu que Israel não retome os ataques.

"Não estou feliz com Israel. Não estou feliz com o Irã também, mas realmente não estou feliz com Israel. Israel tem de se acalmar, tenho de fazer Israel se acalmar", disse Trump, reforçando o tom de insatisfação.

Nas redes sociais, o presidente norte-americano foi direto ao advertir o aliado.

"Israel, não jogue suas bombas. Se fizer isso, será uma grande violação. Traga seus pilotos para casa, agora", escreveu Trump, em uma mensagem publicada na rede Truth Social.

Negociações envolveram líderes do Catar e altos escalões dos EUA

Segundo a agência Reuters, a proposta de cessar-fogo foi construída após conversas entre Trump, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e o emir do Catar. Também participaram das negociações o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o enviado especial Steve Witkoff.

Israel teria aceitado a trégua sob a condição de que o Irã não retomasse ataques. Em resposta, Teerã afirmou, por meio de um porta-voz, que não haveria continuidade das ofensivas se Israel também recuasse.

Israel e Irã trocam novas acusações e relatam mortes

Apesar do anúncio, o governo israelense reportou novos bombardeios por parte do Irã e prometeu reação. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que o país retaliaria de forma intensa caso a violação fosse confirmada.

Durante a madrugada, nove pessoas morreram em um ataque israelense no norte do Irã, segundo autoridades citadas pela agência Fars. A ação teria destruído quatro edifícios residenciais. Em território israelense, mísseis iranianos mataram quatro pessoas no sul, segundo os serviços de emergência.

Irã chama cessar-fogo de vitória e diz manter "o dedo no gatilho"

O Conselho de Segurança Nacional do Irã afirmou que o país forçou Israel a cessar as operações militares. Embora tenha negado novos ataques, o órgão reforçou que mantém as forças armadas em alerta.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, reconheceu que não havia um acordo formal, mas disse que Teerã não pretendia continuar os ataques caso Israel parasse suas ações militares.

A televisão iraniana também confirmou a morte de um cientista nuclear durante um ataque israelense, ocorrido ainda durante a noite.

Ofensiva começou com ataque a instalações nucleares

O conflito teve início em 13 de junho, quando Israel lançou uma operação contra o programa nuclear iraniano. Desde então, forças israelenses bombardearam instalações em solo iraniano, enquanto o Irã respondeu com mísseis contra Tel Aviv, Haifa e Jerusalém.

No último fim de semana, os Estados Unidos também bombardearam alvos nucleares no Irã, com foco na usina subterrânea de Fordow, localizada a 80 metros abaixo da superfície.

Em resposta, o Irã lançou mísseis contra a base americana de Al Udeid, no Catar, após alertar Washington com antecedência. O ataque foi confirmado pela Guarda Revolucionária, mas autoridades americanas afirmaram que os projéteis foram interceptados. Não houve registro de feridos.

Trump agradeceu o aviso prévio e disse que a resposta iraniana foi contida.

"Quero agradecer ao Irã por nos avisar a tempo, o que tornou possível não perder vidas e não ferir ninguém", declarou o presidente.