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Trump compara ataque ao Irã a bombas de Hiroshima

Presidente americano defende ação militar e cita Segunda Guerra Mundial

Por: Iago Bacelar

25/06/202513:35

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu publicamente os recentes ataques contra instalações nucleares do Irã e comparou a ação militar com os bombardeios lançados pelos EUA sobre Hiroshima e Nagasaki, no fim da Segunda Guerra Mundial. A fala ocorreu nesta quarta-feira (25), durante reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Haia, na Holanda.

Presidente dos EUA, Donald Trump
Foto: Reprodução/Instagram @realdonaldtrump

Ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, Trump afirmou que o ataque encerrou o confronto entre Israel e Irã, iniciado em 13 de junho, após ofensiva das Forças de Defesa de Israel contra o programa nuclear iraniano. A ação gerou resposta imediata do governo iraniano, escalando o conflito.

“Não quero usar o exemplo de Hiroshima, não quero usar o exemplo de Nagasaki, mas foi essencialmente a mesma coisa que encerrou aquela guerra [entre Israel e Irã]. Isso encerrou aquela guerra”, disse o presidente norte-americano. Ele também declarou que, sem a destruição das instalações, os iranianos ainda estariam em combate, reforçando a estratégia adotada pelo governo dos EUA.

Irã confirma danos e reage com suspensão de cooperação

Em resposta aos ataques, o governo iraniano confirmou danos severos às estruturas atingidas. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, declarou ao jornal Al Jazeera que as instalações “foram alvo de ataques repetidos” e classificou os danos como “graves”. A declaração foi feita após o cessar-fogo, anunciado por Trump, entrar em vigor na madrugada da última terça-feira (24).

Baghaei ainda criticou a condução diplomática dos EUA. “Enquanto eles falavam sobre diplomacia, deram sinal verde para os israelenses atacarem o Irã. Eles torpedearam a diplomacia”, afirmou. Segundo ele, o governo iraniano desconfia das intenções americanas e só retomará o diálogo se houver sinais concretos de compromisso.

Parlamento aprova rompimento com a AIEA

No mesmo dia, o Parlamento do Irã aprovou a suspensão da cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). A decisão foi tomada após a entidade se recusar a condenar publicamente os ataques às instalações nucleares iranianas.

O presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, justificou a medida ao afirmar que a agência comprometeu sua credibilidade internacional. “A AIEA, que se recusou a condenar, nem que fosse minimamente, o ataque às instalações nucleares iranianas, comprometeu sua credibilidade internacional”, declarou durante a votação.

Relatórios indicam impacto parcial no programa nuclear

Apesar das declarações públicas de Trump, relatórios da inteligência americana apontam que o programa nuclear iraniano foi apenas temporariamente interrompido. Documentos vazados da Defense Intelligence Agency sugerem que os danos atrasaram o programa por alguns meses, sem afetar sua estrutura subterrânea.

Trump rebateu a informação e classificou as reportagens como falsas. “É uma tentativa de desacreditar um dos ataques militares mais bem-sucedidos da história”, disse o presidente. Segundo ele, as instalações nucleares no Irã estariam completamente destruídas.

Conflito iniciado por Israel ampliou escalada regional

O ciclo de confrontos começou no dia 13 de junho, com um ataque de Israel contra líderes militares iranianos e estruturas do programa nuclear. O Irã respondeu horas depois com bombardeios contra alvos israelenses. A partir daí, os Estados Unidos intervieram diretamente com ataques simultâneos a três instalações nucleares no Irã, no dia 21.

O governo de Israel alegou que a ofensiva tinha como objetivo impedir o avanço do programa nuclear iraniano, considerado uma ameaça à sua segurança nacional. Após doze dias de confrontos, o cessar-fogo foi anunciado por Trump e aceito pelas duas nações.