Tarifa dos EUA tem impacto limitado nas exportações do Brasil
Medida de Trump exclui itens da aviação, energia e agronegócio
Por: Victor Hugo
03/08/2025 • 06:00
Com a assinatura de Donald Trump no decreto que oficializou a tarifa de 50% para produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos, dessa forma as gestoras de investimentos estimaram impacto reduzido no PIB (Produto Interno Bruto) do país, especialmente, porque o decreto vem acompanhado de uma extensa lista de exceções.
Cerca de 565 artigos de aviação civil, produtos de setores como energia, fertilizantes, madeira, metais preciosos, estanho e alguns tipos de alumina. Já o caso do agronegócio teve uma medida preservada por parte das exportações brasileiras mais sensíveis para o mercado americano, como o suco de laranja, cujo principal destino era os EUA.
Ainda assim, produtos como café, cacau, carne, frutas, calçados, etanol, açúcar e vestuário não foram poupados e deverão ser taxados, destaca a corretora Monte Bravo.
Tarifas dos EUA e o impacto na economia brasileira
A recente lista de exclusão nas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros deve ter um impacto limitado na economia do Brasil, de acordo com a análise da XP Investimentos. A lista abrange 42% das exportações brasileiras para o mercado americano, o que levou à uma projeção de redução de aproximadamente US$ 3,5 bilhões nas exportações de 2025. Isso equivale a uma queda de 0,15 ponto percentual no PIB, um valor menor do que a estimativa inicial de 0,30 p.p.
Caio Megale, economista-chefe da XP, reforça que o impacto das tarifas no PIB já era considerado pequeno e diminuiu ainda mais com a lista de exclusão.
Visão do Bradesco sobre o cenário
O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, concorda que o impacto macroeconômico das tarifas será limitado. Ele aponta, inclusive, para a possibilidade de um efeito desinflacionário no mercado interno.
"Quando a exportação de certos produtos é interrompida, eles permanecem no mercado doméstico, o que pode pressionar os preços para baixo e gerar um efeito desinflacionário", explicou.
No entanto, Noronha ressalta que é crucial analisar a demanda e a elasticidade dos produtos afetados, bem como a existência de outros mercados para esses itens. Ele também reconhece que, embora o impacto macroeconômico seja limitado, as medidas podem ter consequências significativas para empresas específicas.
O Bradesco mantém a esperança de que as negociações diplomáticas entre os dois países levem a um acordo satisfatório em breve, o que ajudaria a minimizar os efeitos negativos sobre as empresas atingidas.
