Rússia e China reagem após ataques dos EUA ao Irã
Comunidade internacional teme agravamento do conflito no Oriente Médio
Por: Iago Bacelar
23/06/2025 • 09:03
A ofensiva lançada pelos Estados Unidos contra instalações nucleares do Irã gerou forte reação na comunidade internacional. Em uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da ONU, realizada neste domingo (22), o embaixador da Rússia, Vasily Nebenzya, alertou que o mundo está diante de um possível “desastre nuclear”. Os bombardeios realizados no sábado (21) atingiram os complexos de Fordow, Natanz e Isfahan, centros estratégicos para o programa de enriquecimento de urânio iraniano.
Nebenzya condenou a ação americana e acusou os Estados Unidos de violarem a confiança internacional ao agir de forma unilateral. Segundo ele, o Irã estaria disposto a negociar um cessar-fogo antes da intervenção. O diplomata russo criticou a postura dos EUA, afirmando que o país havia “aberto uma caixa de Pandora” ao justificar a ofensiva com argumentos “cínicos”.
“O Irã demonstrava disposição para negociar um cessar-fogo antes da intervenção dos EUA”, afirmou o embaixador. Ele acrescentou que as ações de Washington comprometem a credibilidade em processos diplomáticos.
China também condena ataque e cobra fim imediato dos confrontos
O governo da China também se manifestou sobre os ataques, classificando a operação como uma grave violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês responsabilizou Israel pela escalada da violência e pediu o fim imediato das hostilidades, com ênfase no retorno ao diálogo.
A chancelaria chinesa destacou que os complexos atingidos são vinculados ao programa nuclear do Irã e monitorados pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Para o governo chinês, os ataques violam acordos multilaterais e colocam em risco a vida de civis.
O porta-voz também declarou que o país está disposto a trabalhar em conjunto com outras nações para reabrir canais diplomáticos. Segundo ele, a prioridade é “garantir a segurança dos civis, promover a justiça e restaurar a paz e a estabilidade no Oriente Médio”.
União Europeia, Alemanha e Omã defendem retomada das negociações
A ministra das Relações Exteriores da União Europeia, Kaja Kallas, utilizou as redes sociais para pedir que todas as partes envolvidas recuem e evitem nova escalada. Kallas defendeu o retorno imediato às tratativas diplomáticas, reiterando que o Irã não deve possuir armas nucleares.
A Alemanha endossou o apelo da União Europeia, destacando os riscos de prolongamento do conflito. Já o sultão de Omã, Haitham bin Tariq Al Sai, condenou os ataques e afirmou que sua nação continuará atuando como mediadora nas negociações entre Irã e Estados Unidos.
“Essa agressão ameaça ampliar o escopo do conflito e fere diretamente o direito internacional”, declarou o governo omani em nota oficial, criticando a ação militar americana.
Ucrânia retira civis da região antes dos bombardeios
Como medida preventiva, a Ucrânia evacuou 176 civis de Israel para o Egito antes dos bombardeios dos Estados Unidos. A operação foi coordenada pela Direção Principal de Inteligência (GUR) e pelo Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, com o apoio das embaixadas no Oriente Médio.
Além dos ucranianos, foram retiradas pessoas da Moldávia, Letônia, Azerbaijão, Estônia e Estados Unidos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, informou que novas evacuações estão sendo organizadas para cidadãos que permanecem no Irã, com rota planejada pelo Azerbaijão.
“Estamos respondendo a cada solicitação e continuaremos com as medidas de evacuação”, declarou Zelensky em publicação na rede social X.
Escalada do conflito aumenta temor de crise nuclear
A operação americana reacendeu o temor de que o Oriente Médio entre em uma nova fase de instabilidade, com riscos concretos de envolvimento direto de outras potências internacionais. Especialistas avaliam que o bombardeio de instalações nucleares iranianas, mesmo sob a justificativa de conter ameaças, agrava a tensão global.
O cenário atual preocupa por envolver atores estratégicos como Estados Unidos, Irã, Israel, China, União Europeia e países do Golfo, aumentando a possibilidade de uma guerra ampliada com impacto geopolítico e humanitário. Até o momento, não há sinalização clara por parte dos EUA sobre o fim das ofensivas.
