Israel libera ajuda aérea a Gaza sob crise de fome extrema
ONU critica restrições e mortes por desnutrição se multiplicam
Por: Ana Beatriz Fernandez Martinez
25/07/2025 • 14:00
Diante do agravamento da crise humanitária na Faixa de Gaza, o governo de Israel decidiu permitir o lançamento de ajuda humanitária por via aérea no território, incluindo cargas com paraquedas. A medida foi anunciada em meio a um cenário extremo de fome e desnutrição, que já provocou a morte de dezenas de civis, entre eles crianças pequenas e gestantes. O colapso no fornecimento de alimentos, água potável, medicamentos e combustível se intensificou nos últimos meses, despertando forte preocupação de organizações internacionais.
Desde que um bloqueio rigoroso foi imposto por Israel em março, a entrada de suprimentos foi severamente restringida. Mesmo com uma flexibilização parcial, o número de caminhões com insumos autorizados a entrar diariamente continua insuficiente. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), seriam necessários ao menos 600 veículos por dia para atender às necessidades mínimas da população, mas esse volume está longe de ser alcançado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e diversas entidades humanitárias alertam que Gaza enfrenta um caso de fome em massa provocada por ação humana, com relatos de crianças morrendo de inanição e hospitais incapazes de atender à demanda por atendimento nutricional. Apesar da nova liberação para entregas aéreas, a operação de distribuição continua sob controle militar e tem sido criticada por colocar em risco a vida dos civis.
Relatórios apontam que os pontos de distribuição se tornam focos de tensão, com multidões tentando alcançar a ajuda sob risco de violência, disparos e até bombardeios. Famílias percorrem longas distâncias, muitas vezes a pé, em meio ao calor extremo e à escassez de segurança, na esperança de obter algum alimento ou medicamento. Organizações de direitos humanos denunciam que a estratégia usada por Israel tem dificultado o acesso da população civil à assistência de maneira segura e digna.
Grupos como a Anistia Internacional e entidades da ONU pedem a criação imediata de corredores humanitários terrestres, sob supervisão internacional, para garantir que a ajuda chegue de forma eficaz às pessoas mais vulneráveis.
Enquanto isso, os relatos vindos de Gaza continuam dramáticos: famílias inteiras vivendo sem acesso à água limpa, crianças com sinais visíveis de desnutrição grave e hospitais operando sem suprimentos básicos. A comunidade internacional pressiona por soluções mais robustas, mas a resposta segue lenta diante da emergência.
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