Congresso reage a ação militar de Trump
Democratas acusam abuso de poder
Por: Ana Beatriz Fernandez Martinez
22/06/2025 • 14:23
A ofensiva militar ordenada por Donald Trump contra alvos estratégicos no Irã, neste último sábado (21), teve repercussões imediatas tanto no cenário político americano quanto no internacional. O ataque foi realizado sem a aprovação prévia do Congresso, o que provocou duras críticas por parte de parlamentares democratas.
A deputada Alexandria Ocasio-Cortez foi uma das vozes mais enfáticas, defendendo a abertura de um processo de impeachment contra o presidente. Em postagem na plataforma X (antigo Twitter), a parlamentar afirmou que Trump violou a Constituição ao agir sem consultar o Legislativo, o que caracterizaria abuso de poder.
Outros democratas também se manifestaram contra a decisão. Jim Himes, deputado por Connecticut e integrante do Comitê de Inteligência da Câmara, declarou: “Minha responsabilidade é com a Constituição antes que qualquer bomba seja lançada. Ponto final.”
Enquanto os democratas protestam, parlamentares republicanos expressaram apoio majoritário ao presidente. O senador Lindsey Graham elogiou Trump com um “Muito bem, presidente”, e John Cornyn, do Texas, classificou a ação como “corajosa e acertada”. Katie Britt, do Alabama, afirmou que os bombardeios foram “cirúrgicos e necessários”.
O presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado, Roger Wicker, defendeu a operação, destacando que a medida foi “deliberada” e visava eliminar ameaças nucleares iranianas. Já o líder da maioria no Senado, John Thune, declarou que os ataques são uma forma de impedir o avanço nuclear do Irã e manifestou apoio às tropas americanas.
No entanto, nem todos os parlamentares seguiram a linha de seus partidos. O senador democrata John Fetterman, apoiador de Israel, aplaudiu a decisão militar, argumentando que o Irã “não pode possuir armamento nuclear”. Por outro lado, o republicano Thomas Massie, conhecido por sua posição contra intervenções externas, criticou o ataque, citando a ausência de aprovação do Congresso como inconstitucional.
Diante da polêmica, o Senado deve votar em breve uma resolução apresentada pelo senador Tim Kaine, que exige autorização legislativa para qualquer nova ofensiva militar contra o Irã. A proposta reacende o debate sobre os limites dos poderes de guerra do presidente dos Estados Unidos.
A operação também causou alarme fora dos EUA. O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou-se “profundamente preocupado” com o uso da força pelos americanos. Para ele, o ataque representa uma “escalada perigosa em uma região já instável” e ameaça a paz global.
A manifestação oficial da ONU destaca o impacto geopolítico da ação militar e sinaliza possíveis tensões diplomáticas nos próximos dias.
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