Brasil aguarda resposta dos EUA enquanto tarifa de Trump se aproxima
Tarifa entra em vigor em 1º de agosto se não houver acordo
Por: Iago Bacelar
24/07/2025 • 08:37
O governo brasileiro aguarda uma resposta oficial dos Estados Unidos sobre as tarifas anunciadas pelo presidente norte-americano Donald Trump. A medida prevê uma taxa de 50% sobre produtos exportados pelo Brasil, com previsão de início no dia 1º de agosto.
Em um evento realizado em Washington, Trump afirmou que países com boas relações comerciais com os EUA terão tarifas mínimas de 15%. O Brasil foi o único país com taxa anunciada de 50%, o que gerou preocupação no setor produtivo e no governo federal.
Alckmin busca negociação com Washington
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, enviou uma carta ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e ao representante de Comércio, Jamieson Greer, solicitando revisão das tarifas. Outra carta havia sido enviada em maio, mas ainda não recebeu resposta.
O documento reforça que o Brasil está pronto para dialogar e encontrar uma solução que preserve a relação histórica entre os dois países. “O governo vai trabalhar para resolver e avançar nos próximos dias”, afirmou Alckmin após reunião com representantes da indústria e do agronegócio.
Pressão contra o tarifaço
O governo articula um movimento junto a empresas brasileiras com filiais nos EUA e empresas norte-americanas que operam no Brasil. A estratégia é demonstrar que a tarifa pode impactar os consumidores americanos, elevando os preços de alimentos como carne, frutas e café, além de pressionar a inflação.
Na última semana, Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, destacou que redes de fast food nos EUA podem ser diretamente afetadas pelo aumento do custo da carne, um dos principais produtos brasileiros exportados.
Crise comercial após cúpula do Brics
As tensões ganharam força após o encontro do Brics no Brasil, em julho, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu alternativas ao dólar e pregou o multilateralismo. Em resposta, Trump ameaçou tarifas elevadas aos países do bloco que não se alinharem aos interesses comerciais dos EUA.
Além disso, Trump acusou o Brasil de não estar “sendo bom” para os EUA e condicionou a possível revisão da tarifa à abertura de mercado e remoção de barreiras comerciais brasileiras.
Lei de Reciprocidade é regulamentada
Como resposta à pressão norte-americana, Lula assinou em 14 de julho o decreto que regulamenta a Lei de Reciprocidade Econômica. A norma permite suspender concessões comerciais e direitos de propriedade intelectual contra países que adotem medidas unilaterais contra o Brasil.
O decreto também formalizou o Comitê Interministerial de Negociação e Contramedidas Econômicas e Comerciais, integrado pelos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, da Casa Civil, da Fazenda e das Relações Exteriores.
Caminho do Brasil é o diálogo
Interlocutores do governo afirmam que o Brasil seguirá os protocolos previstos na lei, mas busca evitar contramedidas unilaterais. O objetivo é manter o diálogo aberto com Washington, reforçando as negociações para reverter o tarifaço antes da data limite.
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