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“ACM Neto não tem condição de ser governador”, diz deputado petista

Rosemberg Pinto ainda exaltou Jerônimo Rodrigues e apontou entraves da oposição para 2026

Por: Marcos Flávio Nascimento

05/01/202614:10Atualizado

O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) afirmou que ACM Neto (União Brasil) não reúne, hoje, as condições políticas e territoriais necessárias para governar a Bahia. A declaração foi dada durante entrevista ao Portal Esfera no Rádio, nesta segunda-feira (5), na qual o parlamentar também fez uma defesa enfática do governador Jerônimo Rodrigues (PT), destacando sua capacidade de diálogo, presença nos municípios e relação direta com a população.

Foto “ACM Neto não tem condição de ser governador”, diz deputado petista
Foto: Pedro Henrique / Portal Esfera

Segundo Rosemberg, o principal argumento usado por ACM Neto na eleição passada, a suposta falta de experiência de Jerônimo, deixou de existir.

“Agora ele não tem mais esse discurso. Jerônimo foi testado, mostrou capacidade de trabalho, é atencioso, humano e dialoga com qualquer pessoa, independentemente da posição econômica ou política”, afirmou.

Deputado diz que Jerônimo “caiu no gosto do povo”

Na avaliação do parlamentar, o governador construiu, ao longo do mandato, uma imagem de proximidade com a população, algo que, segundo ele, se tornou um legado dos governos do PT na Bahia.

“Hoje, o governador precisa ir à festa, à missa, circular pelos municípios, conversar com as pessoas. Essa relação direta entre política e sociedade foi transformada”, disse.

Rosemberg ressaltou que Jerônimo mantém forte vínculo com o interior do estado, citando Feira de Santana como exemplo.

“Ele é professor em Feira, tem casa lá, vida construída ali. Tem respeito institucional e pessoal com o prefeito da cidade, algo que, claramente, Neto não gosta de fazer”, criticou.

“ACM Neto não gosta de andar e conversar com o povo”

Durante a entrevista, o deputado foi direto ao apontar o que considera uma fragilidade central do ex-prefeito de Salvador.

“Para ser governador hoje, ele tem que rodar os municípios, conversar com o povo. Mas ele não gosta disso. Chega aos lugares olhando para o relógio, querendo saber a hora de ir embora”, disparou.

Para Rosemberg, ACM Neto ainda se beneficia da marca política do avô, Antônio Carlos Magalhães, sobretudo entre eleitores mais velhos: “A marca não é dele, ainda é do avô. Em pesquisas, a gente percebe que determinadas faixas etárias ainda se relacionam com essa memória."

Críticas à estratégia política e à busca por espaço nacional

O deputado também questionou os movimentos recentes de ACM Neto no cenário nacional e local. Segundo ele, o ex-prefeito tenta construir uma alternativa como vice ou buscar uma âncora nacional para justificar uma nova candidatura ao governo da Bahia. “Se ele não encontrar alguém que o coloque num espaço nacional, ele terá que ser candidato, sob pena de destruir o legado que ainda tem”, avaliou.

Na leitura de Rosemberg, esse legado é limitado e decorre mais da trajetória institucional passada do que de uma liderança popular consolidada. “Ele foi deputado federal, prefeito de Salvador, mas não construiu uma relação orgânica com os municípios”, disse.


Bastidores da oposição e disputa interna

No final da entrevista, Rosemberg comentou a movimentação de lideranças da oposição, como o ex-deputado Nelson Leal, que passou a atuar como coordenador político do grupo de ACM Neto. Para o petista, trata-se menos de uma estratégia eleitoral e mais de uma saída política pessoal.

“Ele já não seria mais candidato à reeleição. Virar coordenador passa a ser um espaço que ele não tinha, já que estava perdendo força para disputar novamente uma vaga”, afirmou.

O deputado também mencionou nomes como João Leão, Cacá Leão e outras lideranças que migraram ou orbitam o campo oposicionista, avaliando que o grupo ainda busca uma narrativa consistente para enfrentar o governo estadual.

Empréstimos, obras e eleições no horizonte

Apesar do foco nas críticas a ACM Neto, Rosemberg defendeu a política de empréstimos e grandes obras adotada pelo governo Jerônimo, argumentando que o estado foi recebido em condições difíceis e passa por um processo de modernização. “Pegamos um estado pesado, estamos modernizando. Ainda há muito a fazer, mas os resultados começam a aparecer”, afirmou.

Para o deputado, a combinação entre investimentos estruturantes, presença política nos municípios e articulação institucional deve pesar no cenário eleitoral de 2026, sobretudo diante de uma oposição que, segundo ele, ainda não conseguiu se reconectar com a sociedade baiana.