Morre o ator David José, o primeiro intérprete de Pedrinho do Sítio
Ator, escritor e sociólogo, David José Lessa marcou gerações com o papel no clássico infantil e deixou legado na arte e na pesquisa cultural
Por: Redação
07/10/2025 • 09:21
O ator, escritor e jornalista David José Lessa Mattos Silva, conhecido por viver Pedrinho na primeira adaptação televisiva de O Sítio do Picapau Amarelo, exibida entre 1955 e 1959 pela TV Tupi, faleceu nesta segunda-feira (6), aos 83 anos. O artista enfrentava problemas pulmonares desde 2017.
De acordo com nota oficial, o velório acontece nesta terça-feira (7), em São Paulo, das 9h às 13h.
Da infância nos palcos ao sucesso na TV
David iniciou sua trajetória artística aos 12 anos, no Teatro Escola de São Paulo (TESP). Sua estreia na televisão ocorreu na produção As Aventuras de Tom Sawyer, mas foi com O Sítio do Picapau Amarelo que alcançou projeção nacional. O programa, transmitido ao vivo, marcou uma geração de telespectadores e revelou o talento de David ao lado de Edy Cerri (Narizinho) e Lúcia Lambertini (Emília).
Mesmo décadas depois, ele ainda era reconhecido nas ruas como o aventureiro Pedrinho, personagem que simbolizou a infância de muitos brasileiros e que o emocionava sempre que recebia o carinho do público.
Com uma carreira diversificada, David também atuou na TV Excelsior e no Teatro de Arena de São Paulo, entre 1964 e 1967, dividindo o palco com grandes nomes, como Lélia Abramo e Gianfrancesco Guarnieri. Participou ainda do especial Minha Doce Turma, exibido pela TV Globo, reforçando sua presença marcante na teledramaturgia brasileira.
Um estudioso da cultura
Fora dos palcos, David se destacou pela sólida formação acadêmica. Graduado em Ciências Sociais pela USP, prosseguiu os estudos na França, nas universidades Paris VIII e Paris X, onde se especializou em Sociologia da Cultura. De volta ao Brasil, concluiu o doutorado em História Social também na USP, com pesquisas voltadas à influência do teatro e da televisão na vida cultural paulistana nas décadas de 1940 e 1950.
Com uma trajetória marcada por múltiplos talentos, David José Lessa deixa um legado que atravessa o tempo unindo arte, educação e memória afetiva de gerações que cresceram acompanhando o mundo mágico do Sítio do Picapau Amarelo.
