Em “Bossa Sempre Nova”, Luísa Sonza prova que ainda é viva a velha Bossa Nova
Cantora lançou seu novo disco nesta terça-feira (13)
Por: Gabriel Pina
14/01/2026 • 21:00
Em 1993, durante uma entrevista ao programa Roda Viva, quando foi questionada sobre uma espécie de busca por uma autenticidade pelas novas cantoras, Nana Caymmi era certeira: “Começam assim, né? Mas, depois, acabam todas com cantinho e violão.” Nesse sentido, a diva pop Luísa Sonza está de volta com seu primeiro trabalho inédito, desde o aclamado “Escândalo Íntimo”, de 2024. O disco, chamado “Bossa Sempre Nova”, foi lançado nesta terça-feira (13) e é composto por interpretações de Luísa de canções clássicas, ao lado dos mestres Roberto Menescal e Toquinho, e homenageia com precisão o gênero.
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Em “Bossa Sempre Nova”, Luísa parece traduzir o espírito do termo “velha bossa nova”, mencionado por Nelson Gonçalves, em 1960. O projeto não tenta propor uma atualização ou ao menos uma releitura que incorpora elementos próprios presentes em projetos anteriores para construir algo novo, similar ao que fizeram mãeana, Cícero, Tim Bernardes e outros nomes da nova geração de artistas nacionais quando resolveram se aventurar no gênero.
Mas, lançar um disco de bossa nova velha, não torna o resultado final negativo. Ao longo das 14 faixas, Luísa se segura bem como intérprete das faixas eternizadas, não só no gênero, mas em toda a música brasileira. Aqui, os destaques vão para as versões de “Consolação”, “Ah! Se Eu Pudesse” e “Tarde em Itapoã”, sendo essa última uma surpresa bastante positiva, e que surge já como um destaque na discografia da artista.
Outro ponto que chama atenção é a presença de Roberto Menescal e Toquinho no trabalho, que causa a impressão de que a escolha dos artistas para o projeto foi minuciosamente pensada pela equipe de Luísa para garantir que o disco tivesse o verniz necessário para torná-lo, de fato, um álbum de bossa nova.
Foto: Reprodução/Instagram @luisasonza
No entanto, a intenção ou não por trás da presença de figuras para integrar o projeto não ameniza o impacto do encontro de Luísa Sonza, que é um dos grandes nomes da música pop brasileira, com os dois artistas que marcaram o mercado da música no país, em que durante anos permaneceu como gênero musical brasileiro mais consumido no exterior.
Em um momento de constante questionamento a respeito do embranquecimento histórico da bossa nova, que, para além de nomes já conhecidos, como Tom Jobim, João Gilberto e Vinicius de Moraes, surge também pelas mãos de artistas pretos como Johnny Alf, Alaíde Costa, Eliana Pittman, entre outros que não tiveram o reconhecimento proporcional, “Bossa Sempre Nova” não se atenta a essas novas questões.
Foto: Divulgação
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Seja na escolha dos artistas ou na seleção do repertório, Luísa perde a oportunidade de colaborar com as lendas “esquecidas” do gênero, mas que se mantêm na ativa até hoje, o que torna o conjunto todo um verdadeiro ode à bossa nova dos anos 1960. Sem tirar nem pôr.
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